Máscaras Caídas

cartomante

Conversando com um amigo e escritor, Cezar Fittipaldi, tomei conhecimento de uma comunidade no facebook, que promovia oficinas literárias. Aceitei seu convite de participar da comunidade, levando quase seis meses para criar coragem de participar de um desafio, como são chamados os concursos organizados pela Câmara do Deputados.

O Desafio é formado por seis etapas. A comissão organizadora escolhe um gênero, nesse caso o conto, e cada etapa tem como pano de fundo uma cidade. No desafio que participei, “Contos Matreiros do Rio de Janeiro”, todas as cidades eram desse estado. E com o pseudônimo D.Esperança, mergulhei nessa experiência cheia de expectativa, medo e insegurança.

As quatro primeiras etapas não eram eliminatórias. Podíamos optar por um tema proposto dentre três. Os desafiantes foram divididos em grupos. Cada grupo foi julgado por cinco jurados, que fizeram um rodízio entre os grupos até a quarta etapa. Os dois primeiros colocados de cada grupo, por melhor pontuação, passaram para as finais. Nas duas últimas etapas, os finalistas só tinham um tema a ser desenvolvido e os contos foram julgados por treze jurados.

A partir de hoje, irei postar os contos escritos para o desafio, incluindo os comentários dos jurados. Pensei em revisar os textos, levando em consideração o aprendizado e as observações dos jurados, mas achei mais interessante expô-los em suas formas originais.

Foram três meses esquentando a cuca para desenvolver temas que considerei bem difíceis. E os que, aparentemente, eram mais fáceis, corríamos o risco de cair no lugar comum. Consegui o quarto lugar na classificação final, pois a partir da quinta etapa, as notas anteriores foram zeradas. Se tivessem considerado a média das seis etapas teria conseguido alcançar o segundo lugar. Muito acima da minha expectativa. Os desafiantes tem um nível muito bom. Todo o processo foi exaustivo, difícil e muito recompensador. Bom, acompanhem os textos, façam seus comentários e tirem suas conclusões.

Nessa primeira etapa, os desafiantes podiam escolher os três temas que seguem abaixo, contanto que o gênero fosse o conto. Assinalado em negrito o de minha escolha.

Tema 1 – Inspirado do Rio Capital

1 – Cambalhacho – Uma estória em torno de uma visita a cartomante
2 – Maracanã – Uma estória envolvendo um jogo de futebol
3 – Marquês de Sapucaí – Uma estória envolvendo um desfile de escola de samba na qual o enredo da escola vai desfilando também no enredo do conto.

Máscaras caídas

A tarde estava quente, sufocante, típica dos dias de verão de sua cidade. O corpo suado da mulata serpenteava entre as ruelas de terra da favela Santa Marta. Cabisbaixo, o rosto de Arlete apontava para o chão, mas não o via. Não via nada. Em seus pensamentos uma única palavra piscava como um letreiro reluzente em noite de chuva:

ACABOU!

A paisagem que ela distraidamente lançava o olhar vez ou outra pela janela do ônibus que pegou alguns minutos depois, estava embaçada pelas lágrimas que fixaram-se em seus grandes e meigos olhos cor de mel, desde que Ronaldo rompera o namoro que já durava algum tempo. Desmancharam-se também seus sonhos. Adeus casa, filhos e uma varanda. Sua confiança se decompunha como fruto caído de árvore. Seu espírito fora possuído pela tristeza, frustração e uma raiva que ela não podia conter. Seu orgulho ferido ardia mais que o coração partido.

Desceu no ponto próximo aos arcos da Lapa. Seguiu caminhando pelas calçadas lotadas de gente, música e riso, sendo para ela essas coisas quase invisíveis. Nem mesmo notou o gringo entusiasmado que a chamava para o samba. Enquanto ele observava malicioso a dança de seus quadris embalada pelos passos largos e apressados, ela equilibrava-se como um malabarista nos finos e altos saltos de sua sandália dourada. Tinha, contudo, a elegância de uma bailarina extravagante nas pontas dos pés. Em meio a colorida e alegre Lapa, vagava Arlete em preto e branco. Em cinza. Em carvão; resto consumido de sua paixão que um dia, naquele momento parecia tão distante, fora labareda que nunca se apagaria.

Ela tirou um papel do bolso apertado do shorts jeans desfiado na barra. Aquela básica peça de roupa caía-lhe bem. O claro azul desbotado realçava o chocolate brilhante de sua pele suada. No papel amassado, as letras tortas e caligrafia ruim indicavam o endereço da cartomante. Parou por um instante. Deve ter se dado conta que não era um espírito vagando.

Aprumou-se, como se o necessitasse fazê-lo. Sua elegância e postura eram naturais. E mesmo que seu espírito estivesse arqueado pelo peso da dor que sentia, seu corpo continuava altivo. Mas a pobre mulata sofria tanto que só o que enxergava era seu trágico destino solitário. Sem Ronaldo, sem casa, sem filhos e sem varanda. Lá fora dela, do seu mundo cinza e sofredor, o outro mundo era só uma mancha disforme e irreal. Um pesadelo que o encontro com a cartomante haveria de ajudá-la a destruir.

Parou em frente da casa velha com cara de órfão abandonado. O jardim na frente tinha um portão enferrujado entreaberto. Era como se pedisse que alguém entrasse para cuidar dos brotos sedentos de água e terreno fértil. Arlete observou aquele jardim com a atenção inversa que oferecera a tudo que a rodeara até aquele momento. Seu jardim seria diferente, pensou ela. Claro… Se ela tivesse Ronaldo, tivesse casa, filhos e uma varanda… então sim, seria diferente…

Dentro da casa, escorada na porta de tela escancarada da cozinha que ficava nos fundos, Stephanie tragava seu cigarro como se aquele fosse o último. No balcão ao lado da geladeira, se serve de uma dose de pinga, a terceira do dia. Enquanto ardente desce o trago por sua garganta, cambaleia com a cabeça para frente. Cerra os olhos. E chora por dentro sua vida miserável, seu homem que a agride diariamente, que não a ama mais como antes, sua falta de amor próprio.

Palmas em frente à casa a despertam do pesadelo. A mulher de pele muito clara, cabelos negros um tanto oleosos que espalham-se ao redor do rosto magro e comprido, espia através da janela da frente. Corre ao banheiro e enche a boca de pasta de dente. Gargareja. Por trás da porta do banheiro mal cheiroso, se olha no pequeno espelho retangular pendurado com moldura de uma cor laranja que parece uma piada sem graça… quem poderia ficar bem com sua imagem refletida com aquele laranja ao redor do rosto? O espelho está ali, estacionado, meio torto. Ela endireita o que reflete sua imagem como se pudesse endireitar a si mesma. E observa. E sente repulsa. Pega o lenço pendurado junto à toalha e o enrola na cabeça.

Palmas insistentes a apressam em seu ritual de transformação. Ela gira os olhos impaciente. Pega a maquiagem pesada e veste sua máscara. Corre ao seu quarto. Uma bagunça caótica se espalha pelo chão, cama e a cômoda cheia de objetos. Ali mesmo ela cheira uma carreira de cocaína. Sente o baque. Arregala os olhos e segue a passos lentos em direção à porta de entrada, como se seu vagar pudesse acalmar um pouco sua alma aflita.

Abre a porta lentamente e impõe-se diante da visitante. E pensa, “é bom que uma cliente seja para justificar minha correria”.

— Olá

— Madame Epifânia?

Stephanie só move a cabeça positivamente com um ar interrogatório. É só parte do seu personagem. Ela implora às divindades que não crê, que a negra entre e lhe pague o próximo cigarro ou o próximo trago.

— Não marquei hora, mas a senhora pode me atender?

Com uma serenidade desenterrada sabe-se lá de onde, a decadente maga responde possuída de uma aparente sabedoria:

— Tem sorte morena… Acabaram de desmarcar uma consulta… E colocando seu corpo de lado e braço estendido segurando a porta, semeia a ordem: Entra! E ainda completa: — Nada é por acaso…

Arlete entra confiante, pois a consulta desmarcada deve ser um sinal…

A sala estava um pouco escura. As cortinas cor de sangue translúcidas ofereciam uma luminosidade melancólica ao ambiente. O sol ardente que reluzia do lado de fora transpassava a cortina colorindo a sala com a cor do pôr-do-sol. Enquanto Arlete, um tanto perdida, procurava o local onde deveria se sentar, Stephanie acendia incensos. Aproveita para analisar Arlete, seu rosto, expressão, seu movimento. Analisa sua aflição em busca de pistas que terá que usar em instantes. Acende um cigarro e senta-se em frente à cliente que já achara seu lugar na pequena mesa redonda com a canga multicolorida esparramada como toalha, mas é interrompida.

Pela pequena fresta da cortina, o reflexo do sol espiava o cristal do enfeite pendurado próximo à janela. E aquele brilho em seus olhos a tirou do prumo. Como lança em sua mente, como castigo por sua má intenção premeditada de só arrancar dinheiro da pobre mulata visivelmente transtornada. Só poderia ser dor de amor, pensou Stephanie, como todas que aparecem aqui. Cerra a cortina e senta-se novamente tomando ar. E inicia a sessão:

— Filha, me dê a mão. Preciso me conectar com seu espírito. E com a cabeça baixa e olhos fechados, os braços estendidos, segurava firmemente as mãos da mulata.

O que nem a própria Stephanie sabia, é que sua vida miserável, seu nego que nela batia, sua repulsa por si, a haviam cegado. Não era capaz de enxergar seu talento em ler as pessoas. Ainda que não o usasse e apenas arrancasse dinheiro de suas clientes falando apenas o que queriam ouvir, ela sabia quem eram e entendia suas dores, sem porém, comover-se com isso. E foi esse talento que a alertou para as mãos seguras da mulata cuja alma sofria, mas as mãos não tremiam. Levantou o olhar, fixou seus olhos negros nos cor de mel, tática que nunca dava errado para desestabilizar a vítima. Sustentou esse olhar por longo tempo sem resultado.

— O que a aflige filha?

— Ronaldo.

— Ele se foi, vejo isso… e o quer de volta… Solta a vidente em tom de voz solene, crente de ter recuperado a dianteira.

— Não. Quero que o motivo da minha desgraça morra.

A veracidade daquela afirmação foi percebida no mesmo instante. A firme mão de Arlete, seu olhar direto e seguro, as palavras fincadas no ar como semente desesperada para germinar. Pronta para um cambalacho, mas não para essa mulata, Stephanie sente-se pela primeira vez em sua carreira de falsa vidente, assustada, atônita e sem palavras. É que a pobre mulher, de maldade não tinha nada. Seus golpes eram quase bálsamos para as almas tão aflitas quanto a dela. Ela sempre sabia a palavra certa. Mas morte? Ahh não, morte não estava nos planos. Arlete lê o silêncio que inundou o ambiente como uma ordem para continuar:

— Se ele voltar e eu aceitá-lo, nunca mais terei sossego. Ele achará que pode tudo e que sempre será perdoado. Não me dará o valor que mereço. Quero que ele sofra. Que desapareça o motivo que causou esse abandono. E a senhora, madame Epifânia, peço que leia as cartas e confirme que estou certa. Que eu faça o que eu tenho que fazer. Ele não precisa sofrer de dor, mas eu sou o último pensamento que ele deverá ter antes dessa vida que se vai.

— Vamos cortar o baralho, filha. Calma, que nem tudo é a gente que manda. Vamos ler o que as divindades querem.

Arlete contrariada, corta o baralho sem dar atenção. Olha desconfiada, mas muito atenta para aquela mulher sem graça, sem viço, sem vida.

E na pequena mesa repousavam as cartas em forma de cruz, típica dos tarôs tirados para o amor. A Imperatriz à esquerda. No centro, aparece o Hierofante, e depois dele o Louco. Abaixo o Enforcado e por último a Roda da Fortuna.

Com um sorriso enigmático, Arlete lê as cartas que nunca viu como se entendesse a mensagem do além, aliviada pelos deuses aceitarem sua ira, sua raiva incontida, seu ódio e sua razão diante da iminente desgraça que virá acontecer. Sim, sejam lá que deuses forem, eles sabem que estou certa. Não terei culpa pela vida tirada.

— A Imperatriz aqui é você, aponta madame Epifânia. O Hierofante ao lado significa a fonte espiritual de sua alma…

— Mentira, sua trambiqueira! Ele é Ronaldo, meu homem!

Stephanie, pobre mulher… De cambalacheira à refém de uma louca. Sem controle da situação. Só queria mais uma dose, só queria mais um trago…

— Aqui é uma casa do bem, filha. Você não quer ouvir o que a proteção divina quer te falar… Não posso te ajudar…

Arlete, transtornada se levanta. Balança a mesa. Sacode a alma aflita da decadente Stephanie… Joga o dinheiro na mesa. Cem reais amassados em notas de dez e vinte.

— Você vai me atender sim. E respirando fundo se senta. — Pode continuar, vou ouvir o que tem a me dizer.

Stephanie respira fundo. Tenta reverter a situação. Acalmar a si. Acalmar a morena.

— O Louco aparece para reforçar a ideia de espiritualidade do Hierofante. A busca pela felicidade e por novos amores. O Enforcado invertido significa que você matará o que te faz mal para conquistar os sonhos do Louco. Você fará um sacrifico para isso acontecer, mas para teu bem, para alcançar seus sonhos. E a Roda da Fortuna é o destino. É a colheita por tuas ações bem pensadas. Vê filha? A morte que você deseja, não é de um homem. É o esquecimento do que viveu. É matar essa dor dentro de você. Nada mais que isso…

Arlete se levanta novamente. E os doces olhos cor de mel de Arlete já não eram os mesmos. Eram seus olhos, seu corpo, sua boca, seu tudo, puro ódio. A carta do Diabo refletida em suas pupilas.

Stephanie está assustada. Uma alma aflita que não sabe lidar com outra.

— Calma morena. Eu posso te ajudar. Precisa afastar esse espírito do mal de suas entranhas.

— Mal? Em minhas entranhas? Eu que tenho o mal em mim?

Stephanie está perdida, desorientada, assustada. Só pensa em uma dose, em um trago, em uma carreira. A porta da sala quente e abafada é aberta com estrondo. Contra a luz reluzente do lindo dia que brilha do lado de fora através do vão da porta, a silhueta de seu nego. Ela se sente aliviada. Seu homem, seu amor… seu nego que a agride todo dia iria ajudá-la naquele momento. Porque assim são os amores. Te ferem e te curam, te machucam e te protegem…

— Ronaldo? Lança num grito abafado a mulata Arlete.

Stephanie paralisa. Seus olhos negros se viram para a mulata enfurecida, depois correm para aquela mancha negra diante da porta:

— Nado, meu nego… diz num lamento. Palavras choradas que pedem um porquê. Que querem entender um como.

O negro alto corre em direção à Arlete.

Arlete enfia a mão na bolsa.

Da bolsa sai um revólver.

O revólver aponta para Stephanie.

Stephanie suplica ajuda com o olhar.

Nado corresponde, mas o olhar não se contém e dá licença às palavras:

— Eu sinto muito minha branca. Eu sempre te amei.

Stephanie cai estirada no chão. O sangue se espalha pelo piso. Numa ironia, a coloração até combina com a luz que se espalha pelo ambiente.

Arlete foge lançando a arma no chão, como cena exagerada de uma tragicomédia cafona.

Nado a pega, olhando-a como se tentasse descobrir um caminho inverso. Sente culpa pela pobre Stephanie. Sente pela vida miserável que ele dera a ela, por tantas vezes que a agrediu, sente por ela nem saber o valor que tinha, o quanto valia sua alma nobre escondida naquela carcaça desleixada, abandonada e sofrida. E seu último pensamento não foi a deslumbrante mulata Arlete, mas os tristes olhos negros de Stephanie…

Em seu último suspiro, a personagem Madame Epifânia já não existia. Era só Stephanie moribunda sem entender seu fim. Assim acabava tudo? Nem um último trago, nem uma última dose, nem uma última carreira lhe sobrara… nem seu nego era seu…

E Arlete correu pelas coloridas ruas da Lapa, em negra alma que se entregara à vingança. À ela não restara nada… nem Ronaldo, nem Nado, nem Nego. Nem casa, nem filhos, nem jardim, nem varanda e nem nada…

 
JURADO COMENTÁRIO NOTA
Betty Vidigal A estória é muito boa, embora não seja “matreira”. O momento em que Arlete diz que deseja a morte de quem a faz sofrer dá uma virada bem interessante nas expectativas do leitor. Mas que o homem das duas mulheres fosse o mesmo é de se esperar, não surpreende.Você abusa de adjetivos. Se tirar do texto todos os adjetivos desnecessários, seu texto vai encolher em um quarto, no mínimo…

– melhor se referir à personagem primeiro pelo nome e depois pela descrição.

– a repetição de ‘mulata’ é incômoda. As variações com ‘negra’ e ‘morena’ não refrescam.

– o que tem de original nas personagens, nessa situação, é a altivez que você descreve.

– literariamente, o texto é formal demais, quase como um desses romances açucarados de banca de revistas.

8,8
Celso Bächtold Apesar de estar longa, essa tragédia, fantasiada de carnaval, chama a atenção pela riqueza da descrição das personagens e pelo inusitado final.  9,5
Denise Andressa A história é muito boa! A narrativa, no entanto, precisa ser melhor trabalhada; há boas passagens, que contrastam com trechos dispensáveis. Outro cuidado importante a ser tomado é com relação aos tempos verbais, que acabaram oscilando entre passado e pressente. O conto destaca-se pela criatividade e consistência, além de surpreender com o final.  9,0
José Maria Béber Texto bem desenvolvido embora desnecessariamente muito descritivo.  8,0
Silvana Albuquerque O texto é escrito com sensibilidade e inteligência. Faz pensar que a história, contada de forma a prender a atenção desta leitora, faz jus ao tema “cambalacho”, uma vez que fez-me sentir “ludibriada” quanto ao rumo, surpreendente, que acaba tomando o destino dos personagens. Muito bom! 9,0
TOTAL*    A partir da próxima rodada será penalizado com perda de 5 pontos por enviar em fonte 12 e ter  ultrapassado 4 páginas. Válido para todos. 44,3

Nessa etapa eu fiquei em primeiro lugar no grupo e em quinto na classificação geral, incluindo todos os desafiantes.

Quem quiser acompanhar os textos dos outros desafiantes, cliquem no link http://desafiosdosescritores.com.br/RIOtema1b.htm

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