Descobri qual é a minha turma… o precariado!

precaires

Somos como empresas completas. Cuidamos da burocracia, administramos, controlamos o fluxo de caixa e fazemos o comercial. Somos a equipe de criação, produção e controle de qualidade, também. Nos entitulamos “freela”. A resposta de onde trabalhamos é “trabalho por conta”. E trabalhamos muito, tanto quanto ou mais que as pessoas empregadas, com registro em carteira, que batem ponto e possuem suporte da lei trabalhista quando adoecem, tem filhos e outras situações. Não recebemos benefícios como 13º salário, nem férias. Quanto a aposentadoria, temos que programá-la, pagando a previdência como profissional autônomo, ou, para os mais bem sucedidos, guardando o suado dinheiro ganho.

Mas, acho que o mais difícil de tudo isso, é conseguir reconhecimento. A sociedade não entende muito bem pessoas que não se enquadrem em empregos tradicionais. Não é incomum, sentir uma certa dúvida em relação a competência e potencial de trabalho de quem vive “livre de patrões”.

Um quarto da população mundial, quase 2 bilhões de pessoas, ganham a vida dessa maneira. Não importa se é uma opção ou necessidade, mas esse número assustador é um alerta de que algo precisa ser feito. Recebi o link abaixo de um livro que aborda esse tema e que será lançado aqui no Brasil, em breve. A pessoa que me enviou comentou que eu não precisaria me sentir mais sozinha. Infelizmente falta muito para que o sentimento de insegurança se extingua.

Vale a leitura

Nasce uma nova classe perigosa: o precariado”

Economista Guy Standing analisa nova classe social, seu crescimento e suas consequências políticas, econômicas e sociais no mundo

Nasce uma nova classe perigosa: o “precariado”

Nos anos 1970, economistas neoliberais passaram a defender a ideia de que o crescimento e o desenvolvimento dependiam da competitividade do mercado. A partir daí, a maximização da concorrência e a permissão para que os princípios de mercado de trabalho permeassem todos os aspectos da vida moldaram uma nova classe social, emergente e ainda em formação, chamada “precariado”. A Autêntica lança o livro O precariado – A nova classe perigosa, do economista britânico Guy Standing, que apresenta as características desse novo grupo social, de quem faz parte dele e de suas consequências políticas, econômicas e sociais no mundo globalizado. O autor vem ao Brasil para lançar a obra no domingo, dia 22 de setembro, às 18h10 durante o evento Invenções Democráticas Construções da Felicidade, no II Colóquio Internacional NUPSI/USP, em São Paulo. Antes, às 17h30, Guy Standing e o senador Eduardo Suplicy palestram sobre o tema do livro.

O precariado, neologismo que combina o adjetivo “precário” e o substantivo “proletariado”, é uma classe social emergente, surgida de uma estrutura global mais fragmentada, composta por pessoas de grupos socioeconômicos distintos, com diferentes reivindicações, que vivem sem estabilidade no mercado de trabalho, trocando de empregos com frequência, sem vínculos empregatícios, sem segurança, garantias e perspectiva de permanência no emprego.

A partir das práticas adotadas por países neoliberais a favor da flexibilidade do mercado de trabalho e da meritocracia, juntamente com a terceira revolução industrial e a superexploração de populações da Ásia em todo o mundo, criou-se um “precariado” global. Por consequência dessa nova configuração, surgiram as primeiras manifestações; em 1º de maio de 2001, quando 5 mil pessoas, em sua maioria estudantes e jovens ativistas sociais, se reuniram em protesto no Dia do Trabalho em Milão, Itália, em um movimento chamado de “EuroMayDay”, que assumiu um caráter global e espalhou-se entre pessoas de perfis e estilos de vida diferentes. Em 2008, o EuroMayDay de Milão mostrava cartazes em que se liam as palavras migranti e precarie (migrantes e precário), e em Berlim, em 2006, jovens e idosos faziam parte da manifestação. Em 2008, na cidade de Prato, na Itália, uma grande massa de trabalhadores chineses, que representava aproximadamente um quinto da população da cidade, explorados pelas empresas de tecidos e vestuário chinesas fixadas em Prato, provocou uma concorrência desleal e, nesse meio tempo, demissões em massa nas empresas italianas locais. Meses depois, os imigrantes chineses foram reprimidos, demonizados e chamados de “o exército do mal” pelo então primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. Essa cidade tornou-se um símbolo de globalização e dos dilemas levantados pelo crescimento do precariado.

A variedade dos indivíduos que fazem parte do precariado é bem definida por Guy Standing: “[…] o precariado está longe de ser homogêneo. O adolescente que entra e sai o tempo inteiro de um cibercafé enquanto sobrevive de empregos transitórios não é o mesmo que o migrante que usa a inteligência para sobreviver, estabelecendo febrilmente uma rede de contatos enquanto se preocupa com a polícia. Tampouco é semelhante à mãe solteira que se preocupa de onde virá o dinheiro para os alimentos da próxima semana, ou ao homem de 60 anos que aceita empregos eventuais para ajudar a pagar as despesas médicas. Mas todos eles compartilham um sentimento de que seu trabalho é útil (para viver), oportunista (pegar o que vier) e precário (inseguro)”. De acordo com o autor, embora não seja possível apresentar números precisos, neste momento, pelo menos um quarto da população adulta do planeta faz parte do precariado.

Este livro trata de responder a cinco questões fundamentais do precariado: O que é essa classe? Por que devemos nos preocupar com seu crescimento? Por que ela está crescendo? Quem está ingressando nela? Para onde está nos levando? Esta última questão é crucial. Para o autor, há um perigo de que, a menos que o precariado seja entendido por governantes e seja criada uma estratégia política para a nova classe, seu aparecimento possa levar a sociedade para uma “política de inferno”, baseada em ações paternalistas.

Guy Standing revela neste livro que o resultado do descompromisso político com essa nova classe pode gerar uma crescente massa de pessoas com raiva, anomia, ansiedade e alienação, que, por sua vez, pode desencadear movimentos e revoltas: “um grupo que não vê futuro de segurança ou identidade sentirá medo e frustração que pode levá-lo a atacar severamente as causas identificáveis ou imaginadas de seu destino. E o desinteresse proveniente da corrente dominante da abundância econômica e do progresso econômico é propício à intolerância”.

No último capítulo, o autor apresenta ao leitor uma proposição de soluções para essa emergente classe, com a criação de uma “política de paraíso”, necessária para responder aos medos, inseguranças e aspirações do precariado. O autor sugere o desenvolvimento de uma agenda progressista a partir da perspectiva dessa nova classe, baseada em “liberdade, igualdade e fraternidade”, somando-se ao resgate da identidade e da educação, na segurança, renda básica e defesa dos direitos trabalhistas para todos.

De acordo com o senador Eduardo Suplicy, que assina o posfácio do livro, “Guy Standing nos relata a respeito do fenômeno social que crescentemente tem caracterizado tantos países do mundo em função das consequências da globalização e de como evoluem as economias capitalistas, tanto do mundo desenvolvido, quanto em desenvolvimento, e mesmo as economias do mundo socialista, como a chinesa e a vietnamita.”

O precariado – A nova classe perigosa é uma obra que reflete não apenas sobre a emergente classe e sobre os rumos do mercado de trabalho. Guy Standing oferece aos leitores uma reflexão política e socioeconômica necessária e urgente para se pensar em políticas includentes, para compreender a nova ordem social global e, especialmente, para responder aos anseios e às inseguranças dos indivíduos de uma nova classe, que não se sentem ancorados em uma vida de garantias e promoções trabalhistas, não possuem empregos permanentes, e sequer sabem que integram a classe dos precariados.

Guy

Sobre o autor – Guy Standing é economista, com PhD pela University of Cambridge. É fundador e co-presidente da Basic Income Earth Network (BIEN), uma organização não governamental que promove renda básica como um direito, com membros em mais de 50 países. Além de ter uma vasta carreira como pesquisador, é conselheiro de várias agências e governos internacionais. Em 1995-96, foi diretor de pesquisas da Comissão de Políticas de Mercado de Trabalho do presidente Nelson Mandela, ocasião em que foi coautor do livroRestructuring the Labour Market – The South African Challenge [Reestruturação do mercado de trabalho – o desafio sul-africano] e foi diretor do Programa de Segurança Socioeconômica da Organização Internacional do Trabalho, OIT (de 1999 a 2005), e diretor da Filial de Políticas de Mercado de Trabalho da OIT. Atualmente, é professor de Desenvolvimento na School of Oriental and African Studies (SOAS) trabalha com programas-piloto de renda básica na Índia. Seus livros recentes são: The Precariat: The New Dangerous Class (Bloomsbury, 2011), Social Income and Insecurity in Gujarat, com J. Unni, R. Jhabvala e U. Rani (Routledge, 2010), e Work afterGlobalization: Building Occupational Citizenship (Elgar, 2009).

Fonte: http://www.pluricom.com.br/clientes/grupo-editorial-autentica/noticias/2013/09/nasce-uma-nova-classe-perigosa-o-201cprecariado201d/view

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2 pensamentos sobre “Descobri qual é a minha turma… o precariado!

  1. Filha querida, tenho visto seu esforço e a verdadeira luta que que é se inserir nesse grupo e conseguir se manter..Só quero estar sempre ao seu lado e lhe dar todo apoio possível. Bjs

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