Caos, a cura para a cegueira

furacão no mão

Todos vivemos momentos de dor. Aquela hora que parece que o chão rachou e a gente vai despencar. Quando a dor da alma é tão grande que parece que partimos ao meio. Chegamos a sentir dor física e muitas vezes até adoecemos. Os vírus que atacam quando o ser humano está com baixa resistência, fazem a festa. É nessa hora que a gente pensa que está gordo demais, ou magro demais. Feio como nunca esteve antes. Fracassado como foi a vida inteira. Mas estamos simplesmente CEGOS.

O momento de caos desencadeia essa cegueira do passado distante. É natural durante o sofrimento ficarmos remoendo o passado próximo. O estopim que nos levou à devastação total física e emocional. Daí parece que nunca sofremos assim antes. Não pode existir dor maior. E sabe? Acho que não existe mesmo. A pior dor é a que a gente está sentindo no momento. Podemos usar de “lugar comum” e fazer o jogo da Poliana, a órfã que na sua trágica vida fazia o Jogo do Contente. Mas isso nunca diminuiu a dor de ninguém, não de verdade. É só como um analgésico que esconde os sintomas. E isso quando funciona…

Em uma das várias teorias sem nenhum fundamento que construí pela vida, adquiridas unicamente por intuição e sentimento, tenho a de que a dor existe para ser vivida. Não, não estou falando de penitência. Nem que a dor enobrece. Para mim a dor dói. Ponto. E dói muito. Quanto mais intensa e emocional é a pessoa, mais dói. Dilacera, tortura, atormenta, rompe-nos ao meio, em um décimo, em um milésimo de ser humano.

Memória pode ser um tormento… ou um privilégio. E quando a gente está cego pensando só na granada que explodiu e nos deixou tão vulneráveis, fazer um esforço para lembrar as tragédias antigas só pode ajudar. Daí a gente se dá conta do que já vencemos. Do quanto superamos e do nosso potencial.

Eu sei… Mas dá um cansaço… “Dá para entender?  Eu cansei dessa brincadeira de viver lutando e morrer na praia…” Daí exponho aqui outra teoria suspeita. Somos como grãos de areia no fundo do mar. Às vezes vivemos na calma e silenciosa água do oceano fundo, outras somos envolvidos por ondas que nos arremessam para um destino desconhecido. Todos nós! Mesmo as pessoas mais controladas, que, ainda que não demonstrem, suas dores não são menores. Daí o tempo passa e dá chance para a cabeça parar de girar. E nesse novo solo onde fomos depositados sem escolha, que como pequeninos grãos de areia rodeados de outros iguais que muitas vezes não enxergamos, que percebemos as grandes possibilidades de uma nova vida, de novas escolhas e novos desafios.

Muitas vezes o caos nos tira de uma zona de conforto. Nem sempre temos tanta clareza para escolher o que é melhor para nós. O caos é como bronca de mãe quando somos crianças. Não entendemos, mas seguimos adiante e só percebemos o valor muito mais tarde. Sim, ele faz com que recobremos a visão. Quantas vezes fomos tomados por uma consciência indigesta que o que era tão importante, nem tem tanto valor?  É o instinto de sobrevivência tomando as rédeas da vida mais uma vez. É na consequência da trágica explosão do estopim que encontramos nossa força.

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deitada na grama

Eu odeio me sentir assim

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3 pensamentos sobre “Caos, a cura para a cegueira

  1. Incrível como vc está tendo cada vez mais clareza na leitura dos seus sentimentos.Que são os de todo mundo,ma que não conseguimos expor. Através de tanta consciência, descubra agora como “virar” a página, passar por cima e seguir vivendo.É esse o verdadeiro exercício!! Percebo que já está quase conseguiiiiindo! Será????? Bjs, muito amor prá vc.

  2. Bela análise da dor! E os grãos de areia ficam muito pouco na paz do fundo do mar, estão sempre em revolução.
    Mas seu lindo sorriso deixa tudo ficar melhor, pelo menos para nós, os outros que convivemos. com você.

  3. Oi prima, essa é a vida de todos nós… E ainda assim vale muito a pena… Adorei os comentários das tias. Muita luz! Beijos,

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