Onde fica o mundo sem fronteiras?

imagem brasil-frança bandeira

A polêmica formada por uma minoria sobre o post de Olivier Taboul me chamou a atenção. Eu nem imaginava o acesso extraordinário que aconteceria com essa postagem. Quantas pessoas curtiram e se divertiram com as sacadas de um cara que se mostrou muito espirituoso. Mesmo preparada para alguns comentários contrários, não imaginava o quanto irritaria alguns leitores.

Quero deixar aqui algumas observações tiradas por mim, o que obviamente é apenas uma opinião pessoal e não uma tese.

Estrangeiro é uma palavra derivada de estranho. Ambas derivadas do latim estraneus, ‘o que é de fora, desconhecido, não-familiar, de extra fora’. Logicamente um estrangeiro que carrega todos essas especificações, não teria como não ‘estranhar’ nossos hábitos, assim como nós o fazemos ou que fariam quem ainda não teve a possibilidade de conviver com outros hábitos e cultura.

Até aí acho que é quase totalmente senso comum. Todo mundo concorda com isso até que… alguém abre a boca para falar. Mas o que causou a mim ‘estranheza’ apesar de fazer parte da mesma população das pessoas que criticaram veementemente os argumentos de Olivier, é o porquê se sentiram tão ofendidas. Mas vamos por partes.

Esse francês usou de palavras baixas e ofensivas? Não! Porém fui obrigada a muito contra-gosto (porque acho que todas opiniões devem ser ouvidas) a excluir alguns comentários vergonhosos. Ele disse que achava o Brasil inferior ou hostil? Não! Ele expressou sua admiração, apesar de seu ‘estranhamento’ com diversos hábitos. E expressar isso é ruim? Bom, esse ‘não’ eu preciso editar em um novo parágrafo. Esse ‘não’, o ‘meu não’, se deve a uma opinião pessoal e não automática por conclusões comuns ditadas por uma comunidade como é o caso de palavras agressivas, por exemplo.

Expressar as opiniões e sensações adquiridas no convívio de um lugar, um povo, uma posição ou cultura diferentes na minha opinião é uma atitude construtiva. Tanto pela coragem de se expôr a um julgamento, como pelo fato de ajudar qualquer pessoa a enxergar uma situação sob outro aspecto, outro ponto de vista. Algumas pessoas acharam que ele usou de piada para ‘alfinetar’ os brasileiros. E o que lhe causou ‘estranhamento’ na verdade ele vê como absurdos defeitos. Isso já é questão de interpretação e não há como argumentar com uma impressão que se sentiu. Mas há como repensar essa sensação de uma maneira menos emocional e mais distanciada.

Eu pertenço a um grupo de mochileiros e embora esteja um pouco afastada, hospedava estrangeiros em minha casa. Inúmeras conversas tive com a maioria. Nesse intercâmbio cultural não faltavam ‘estranhezas’, mas isso nunca deixou de contribuir no meu avanço como ser humano para conviver melhor com as pessoas. Também fui hospedada por outras pessoas, e igualmente tive que me adaptar às suas culturas. Isso foi construtivo, encantador e as experiências mais ricas que tive na vida.

E se o francês falou alguma coisa que incomodou profundamente alguns leitores brasileiros, se deve ao fato de que realmente temos defeitos e que devam ser consertados. A busca por uma sociedade ideal é responsabilidade de cada ser humano como membro de uma comunidade. Que arrumemos a casa então! Podemos começar pela que habitamos ao invés de culpar todos à volta. Pedir para alguém calar a boca diante de um argumento que é real, é mais ou menos como um adolescente bater a porta do quarto na cara dos pais após ter pisado na bola.

E que na França há defeitos… oras, quem duvidou disso um dia? Em seguida postei o texto de um brasileiro falando da França. Apesar dele também ter tomado todos os cuidados para não ofender a França, seus comentários expunham mais defeitos da comunidade francesa do que particularidades da cultura, mas não desencadearam comentários ofensivos à ele como pessoa. E assim como o francês, o Antônio expressou uma opinião consciente de qualidades e defeitos de cada local.

Alguns comentários, já que postados em meu blog, me sinto no direito de responder. Quando uma pessoa fala que ‘os brasileiros escovam dentes após todas as refeições’, isso não é exatamente uma crítica para ser respondida com ‘todos os franceses são fedidos’. Comentários assim na minha maneira de ver são ofensivos e infantis. Uma imaturidade sem tamanho no que diz respeito a como se relacionar com as diferenças.

Há ainda um certo paternalismo quando se mostra que ‘só nós podemos falar do Brasil’, ‘esse francês que fale da França’. Convenhamos… Que idade temos? Não é possível ouvir uma opinião alheia baseados em respeito e bom humor?

E por último, para os do clube que há ‘baba ovos para estrangeiros’… Não posso responder por uma população, mas por mim. Sim! Eu amo estrangeiros. Amo estrangeiros e brasileiros, negros e brancos, pobres e ricos, religiosos e ateus. Não irei reverenciar ou menosprezar a opinião, a arte, ou qualquer expressão de alguém porque ele é de outra raça, religião, cor ou classe social. Obviamente não irei divulgar o que não me agrada. Então, sejam nacionais ou não, enquanto encontrar palavras, imagens ou vídeos interessantes que de alguma maneira causem impacto a mim, o farei.

Onde fica o sonho de um mundo sem fronteiras? Estou sendo ingênua ou toda essa polêmica se deve a simples questão de um estrangeiro ter falado sobre sua impressão em relação à nós. Se um brasileiro tivesse se expressado com os mesmo argumentos haveria tanta polêmica? Acho que é hora de abaixarmos a guarda. É hora de rir mais tranquilamente, sem levar as coisas tão a sério…

Leia também https://sonhosemmosaico.wordpress.com/2012/09/11/couch-surfing-um-mundo-sem-fronteiras/

Curta também nossa fan page no facebook:https://www.facebook.com/SonhosEmMosaico

Anúncios

20 pensamentos sobre “Onde fica o mundo sem fronteiras?

  1. Pingback: E o Brasil contra ataca – A visão de um brasileiro morando na França | Sonhos em Mosaico

  2. Pingback: Brasil visto por um francês… E não é que ele tem razão em muita coisa? | Sonhos em Mosaico

  3. Bom… da minha parte, eu ri muito, achei deliciosa uma “leitura” do Brasil tão bem humorada, desencanada, observo que tem pessoas que são implicantes mesmo e outra coisa somos pessoas que se formam socialmente aqui ou ali mas fazemos parte da raça humana e essa coisa de superioridade ou inferidade acaba quando entendemos que estamos todos tentando fazer o melhor que podemos…

  4. Não vi nenhum problema em relação ao texto do francês sobre o Brasil e os costumes brasileiros, mas ví que no texto ‘contra ataca’ o Antonio Souza Neto pôs suas críticas de uma maneira que pudesse sim ofender um francês ao ler suas “opiniões” sobre a França.

    • Bom dia, eu tambem sou francês morando no Brasil (Sampa) faz agora mais de um ano (e pai dum brasileirinho faz poucos dias).
      Eu concordo plenamente com você, Kamila. Eu achei o texto do francês mais engraçado e no geral as observações muito acertadas porem tenho que reconhecer que pode haver coisas que Olivier escreva que sao inexatas para os brasileiros que conhecem melhor do que nos… Agora, mesmo concordando na maioria dos pontos do Antonio, estou totalmente en desacordo com alguns (eu tambem pretendo conhecer melhor o meu pais e o povo dele) e sobretudo eu achei menos engracado e/ou mais ofensivo no jeito de apresentar.

  5. Cada ser eh unico, na franca existe crime, nos estados unidos existe crime, assim como na china, australia, argentina. O q muda eh como cada pessoa ou grupo (pais) lida com a situacao, e como isso afeta. Oq somos hj eh resultado de mtos anos “isolados”, mas brisil precisa estar preparado, vem mto estrangeiro por ai. E creio futuro esses contrastes nao devem assustar os brasileiros q parecem indios sem contato com outras culturas.

  6. Tudo aquilo que o francês disse é verdade!!! Acredito que todos nós já nos pegando comentando ou reclamando das coisas que ele escreveu, estranha-me o fato de haver tantas críticas, ainda mais sendo elas ofensivas. Isso vem do fato de não aceitarmos que outros exponham nossos defeitos e fragilidades. Por isso não crescemos, nem como cidadãos nem como país. Não enxergamos nossos defeitos nem nossas qualidades. Ele mesmo disse que possuímos um grande sentimento de inferioridade, não pode ser assim. Temos que saber nosso lugar no mundo e nos impor, não com aspereza ou com arrogância e sim nos fazer respeitar. E não nos fazemos respeitar nem um pouco tendo reações agressivas com alguém que expôs seu ponto de vista.

  7. Adorei o texto do Olivier! Todos que já moraram fora do país sabem que é normal fazer comparações entre os comportamentos, habitos, comidas, etc dos diferentes países. Não quer dizer que uma cultura é melhor que a outra, apenas que são diferentes, poxa! O problema é a tendência de se colocar como “o certo”, o centro, o fiel da balança, e qualquer comportamento que desvie para a direita ou para esquerda da nossa curva de Gauss imaginária é rechaçado… Tristeza.

  8. Li o texto e achei sensacional. É a percepção de uma pessoa criada em outro país, com outra cultura e de outra forma. Qual é o problema? Obviamente qualquer ser humano acha estranho tudo aquilo que vivencia fora de seu habitat natural (não estou chamando ninguém de animal. Vai que alguém se ofende). Visitei a França e tenho minha opinião, assim como tenho minhas percepções sobre as pessoas de outros estados do Brasil. O ser diferente, é o que nos torna pessoas com capacidade de aprendizado e de julgamento. E esta capacidade nos educa e ajuda a evolução do pensamento e a mudança de comportamento. Achei o texto muito bom, as percepções são genuínas, verdadeiras e delicadas. Na minha opinião, sentir-se ofendido, só confirma que nós brasileiros nos sentimos inferiores. A pergunta é: A gauchada é bairrista? Ou o Brasil é?

  9. Eu li os dois textos e achei otimos os dois, foi uma forma muito legal de ter uma visão do meu pais e de Paris,um lugar no qual nunca conheci mas achei super interessante os observações feitas pelo brasileiro, e sobre o texto do Olivier achei muito interessante por que da aquela sensação de quando a pessoa te descreve e você percebe detalhes curiosos sobre você q vc nem imaginava! Espero ver outros texto iguais a esses!

  10. A impossibilidade de acabar com fronteiras não é territorial, mas simplesmente humana.
    Estamos no século 21 o mundo é pequeno, a informação viaja à velocidade da luz, sites de tradução estão muito avançados e qualquer ser pode entender o que um outro diz em não importa qual lingua… a comunicação nunca foi tão facil e inteligivel, mas simplesmente os interesses pessoais estão acima dos interesses comuns, isto é todo mundo adora a “mutação”, mas ninguém quer mudar…
    A religião e a visão politica da vida em sociedade são os fatores primordiais de discordia, nunca um Europeu tera a visão de um Americano, ou latino Americano, ou Africano, muito menos de um Asiatico ou Russo.
    O problema das fronteiras existentes entre seres da mesma espéce não é material, é mental.
    Moro na França, vivi nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, passei seis meses na Africa, três no Vietnan… SOmos tosos iguais fisiologicamente mas temos todos interesses e valores morais, culturais, usos e costumes e crenças que nos diferem e nos diferenciaram para sempre, pois ninguém quer aceitar ser como outros, todos nos queremos que os outris sejam como nos…

    (desculpem a falta de acentuação do meu teclado).

  11. Eu viajo bastante ao exterior, algumas vezes por ano, e também observo qualidades e defeitos nos outros locais e acho isso normal. O brasileiro tem que perder essa visão paternalista das coisas. Acho que alguém de fora tem o distanciamente para avaliar melhor nossas particularidades. Vamos rir e aprender com isso. É preciso viver a vida de forma mais leve e descontraída.

  12. Achei um absurdo o artigo do françês ter irritado alguém. Não foi de forma alguma ofensivo, foi escrito com um humor inteligente e os erros pequenos de portugues deixaram a leitura ainda mais agradável; e realmente pra quem sabe ler nas entrelinhas ve-se claramente um sentimento de admiração e elogio ao Brasil. Pena que tem cada mala que não sabe interpretar nada.(taí Olivier acrescenta esta).

  13. Simplesmente chorei de rir e sou brasieira, mais amo viajar , conhecer e participar de outras culturas.
    E moro no exterior.
    Nao existe melhor escola no mundo. Nao existe lugar ou cultura perfeita, mais simplesmente pessoas
    culturas e costumes extraordinarios, fascianantes, engracados, e enriquecedores. E um grande dom
    saber escrever sem ofender e ao mesmo tempo ser comico, e o frances sob se expressar muitissimo
    bem. Ja o brasileiro tambem comico usou algumas palavras que mesmo na brincadeira soam ofensivas,
    mais como brasileira, entendo tambem que essa e as vezes nossa maneira de se expresser (cortando
    caminho), mais sem intencao nenhuma de ofender. Achei excelente todos os artigos e mais uma maneira
    de nos relacionarmos culturalmente e aprendermos uns com os outros e aceitar que somos todos perfeitos
    em nossas imperfeicoes e melhorarmos se possivel ou desejavel. Adoraria ler mais opinions sobre outras
    culturas por estrangeiros. Quem sabe um dia eu nao compartilho com voces a minha visao sobre a cultura
    Americana e Indiana num ponto de vista comico e de grande aprendizagem para mim e com todo respeito,
    carinho e amor que tenho por esses 2 paises e seus habitantes.

  14. Sou brasileiro (Carioca da Gema). Faz muitos anos que moro na Espanha. Vou à França sempre que posso, pois adoro aquele país. O que os dois artigos dizem é verdade, um pouco exagerado pra fazer a graça…
    Sinto muitas saudades do Brasil, muitas vezes de um jeito preocupante, por isso agradeço a Olivier o seu artigo, que sacudiu a minha memória… Que saudade! O das mulheres, o melhor. Eu ri até chorar… A Francesa está doida mesmo, mas é uma loucura muito interessante. A mulher brasileira, já é outra história. Ela tem tanta coisa, que nem sabe o que tem. E se ela tivesse um pouco mais de auto-estimação, seria muito melhor. Coisa linda, maravilhosamente bela. É o coração da mulher brasileira.

Seja você uma parte desse mosaico. Compartilhe suas impressões, sentimentos e opiniões aqui.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s