Barcelona e o encontro com meu novo host

Chegando na noite de Barcelona

Chegando na noite de Barcelona

Eu parecia estar em uma cena de um filme de suspense. O longo corredor da antiga estação de metrô estava vazio, só ouvia meus passos ecoando e o som das rodas da mala. Ao redor da catraca, nenhuma máquina ou guichê para comprar a passagem. Olho de um lado para outro sem saber se permaneço ali à espera de alguma ajuda ou se volto para a rua em busca de informação. Pouco tempo se passou até que dois rapazes jovens, aparentando cerca de 20 anos, se aproximam. Pedi ajuda e eles fizeram um sinal com as mãos para que eu aguardasse um pouco sem pronunciarem uma só palavra. Sinceramente ou eu estava muito confusa, ou aquela situação era meio esquisita. Uma senhora de idade se aproxima em seguida e eles fazem sinal para eu seguí-los. Cada um pega uma de minhas malas e disparam enfileirados atrás dela. A intenção era passarmos pela catraca com sensor sem pagar, mas naquela hora já não me importava mais a passagem. Eu só estava de olho em minha bagagem pensando que se eles quisessem, facilmente me deixariam para trás.

Ou tive muita sorte deles estarem bem intencionados, ou meu temor era reflexo da loucura que estou acostumada numa cidade como São Paulo. Chegando à plataforma eles se despediram de mim desejando boa sorte e me indicaram os funcionários que ali estavam para saber como eu chegaria ao meu destino. Subi no trem e me senti um pouco atrapalhada, agora carregando duas malas. Me chamou atenção duas lindas garotas que estavam sentadas à minha frente. As gêmeas eram morenas de pele e cabelos muito lisos. Pareciam índias não fosse os traços tão delicados de seus rostos. Conversei com elas que com muita simpatia me ajudaram a descer a bagagem na estação que eu, até aquele momento, acreditava que me levaria próxima ao ponto onde Joan me encontraria. Quando saio na rua, percebo que estou completamente perdida. Telefonei para Joan e após a confirmação do quanto eu estava distante, optei por pegar um taxi e garantir minha chegada sem grandes surpresas. Eu estava realmente farta de fortes emoções naquela noite.

As ruas estavam desertas e o motorista me explicou que estão todos assistindo ao jogo dos arqui-inimigos Real Madrid x Barcelona, o La Barca. Quando o taxi se aproximou, Joan já estava à minha espera com seu sorriso estampado no rosto. Conhecera ele em São Paulo, em uma festa em minha casa quando comemorava meu aniversário. Ele viera acompanhado de uma outra amiga couch surfer. Após essa festa nos vimos algumas vezes em encontros do grupo e quase na véspera de sua volta à Espanha, depois de um passeio pelo Parque Ibirapuera, fomos tomar algumas saideiras na Av Paulista.

Após nos cumprimentarmos e conversarmos rapidamente, ele me convidou a entrar no bar para assistir a partida onde se reunira com outros amigos. O local estava lotado e os ânimos visivelmente alterados. A euforia era contagiante. Só na hora do intervalo que as pessoas se deram conta da estranha na mesa. Gente agradável e simpática que assim que começou o segundo tempo voltaram à atitude inicial. Gritos, palmas, assobios e até gente em cima da mesa marcaram aquela noite. Foi perfeito para aliviar a tensão dos dias anteriores e relaxar. Fomos embora após o jogo, mas não antes de uma porção de patatas bravas deliciosamente calórica (batatas em cubos fritas no azeite e cobertas por  um molho picante feito com salsa e tomate) e da famosa saideira que se tornou obrigatória todas as vezes que eu e Joan estávamos juntos, quando ele sugeria já rindo ao recordar das saideiras contínuas na Av Paulista.

No caminho para seu apartamento, a cidade iluminada me encantou. Barcelona era muito grande comparada ao que eu já conhecera até aquele momento. E desde que eu chegara, talvez naquela noite tenha sido quando mais me senti próxima da  realidade em São Paulo, salvo as grandes diferenças das duas cidades. Barcelona é linda, muito limpa. As ruas começavam a encher depois do jogo, mas havia uma presença tranquila da população, oposta ao caos habitual de minha cidade natal. Ou talvez fosse apenas ingenuidade minha ao conhecer aquele lugar superficialmente? Como dizem, o verde do jardim do vizinho é sempre mais bonito… mas eu estava achando lindo!

Seu apartamento ficava muito bem localizado com ótimos pontos de referência que me ajudariam muito nos quatro dias programados para ficar na cidade. Sua rua ficava em uma travessa da Avenida Diagonal, uma via que atravessa a cidade de Barcelona. Havia também nela um prédio moderno bastante alto em formato de oviga que me direcionou em diversas situações. A Rambla Poblenou ficava a menos de cinco minutos de sua casa também. O apartamento era muito bem cuidado, mas nada me chamou mais a atenção que as belas fotos que expunha nas paredes. O pequeno quarto reservado para os vários hóspedes que ele já hospedara era confortável e muito organizado. Arrumei minha bagagem e ficamos na espaçosa varanda fumando um cigarro e conversando um pouco antes de ir dormir, quando tive a oportunidade de conhecer um pouco mais da vida daquele espanhol tranquilo e simpático, de suas viagens e da vasta experiência dele como couch surfer.

Joan fez questão de me fazer sentir à vontade, o que não era difícil graças à sua docilidade. Eu já sentia simpatia por ele antes, mas pouco horas ao seu lado percebi que ele seria um amigo que a distância não conseguiria afastar. Inteligente, atencioso e desprovido de preconceitos. Uma daquelas pessoas que sem esforço fazem diferença no mundo. 

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