Jantar argentino, caipirinha e diversão na noite de Valladolid

brasileiro, mexicano, argentina e espanhóis

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Logo depois que Ruben voltou de sua corrida diária, Jose Manuel chegou. Eu já estava arrumada e saímos em seguida para um jantar argentino que seria feito na casa de uma couch surfer que eu ainda não conhecia. Minha contribuição para o jantar seria levar uma bebida típica do Brasil, então fomos ao Carrefour antes em busca de ingredientes para eu fazer caipirinha. Como não entendo muito de cachaça, fiquei aliviada de ter encontrado a boa e velha 51. Mais difícil mesmo foi encontrar o limão Haiti. O limão siciliano é muito mais usado por eles e apesar de eu gostar bastante, o sabor não é nada parecido. Já estava pensando em fazer caipirinha de outra fruta quando achamos o limão em um canto escondido da sessão de frutas e verduras. Eu sei que já falei isso muitas vezes, mas é impossível não repetir. O frio de Valladolid continuava aumentando. Essa noite foi a mais gelada que passei na Europa. Próximo ao Carrefour, um estádio de futebol estava muito iluminado. O ar frio sob as luzes dos refletores criava um efeito de fumaça cobrindo o grande campo de esportes.

Mario

Mario

No pequeno apartamento de Suarez Pao, a bela argentina sorridente e desinibida, um grupo animado já estava entrosado. Dividiam-se entre a cozinha, o corredor e a sala. Cheguei tímida diante de um grupo que já se conhecia tão bem, mas me receberam com reconfortante hospitalidade. Todos muito simpáticos e alegres. Na cozinha comecei a tarefa incumbida a mim, fazer a caipirinha. Eu sei que era uma besteira eu ficar ansiosa com isso, mas como não sou muito fã de bebidas destiladas e nunca tinha feito, fiquei com medo que não ficasse boa.

Deisy e Andrea

Deisy e Andrea

Valladolid é uma cidade conhecida por receber muitos estudantes e sua universidade é bem famosa. Deisy, Ross e Bruno foram três brasileiros que conheci lá. Não sei se os três, mas pelo menos dois viviam no apartamento dividido entre estudantes. Durante todo o período que me encontrei fora do Brasil, tive uma preocupação com a questão do comportamento. O choque cultural foi menos intenso do que eu imaginei, mas ainda assim eu me policiava para não ser mal interpretada. O Couch Surfing é uma comunidade de pessoas que viajam, hospedam e são hospedadas. Na maioria jovens, é de se esperar que tenham a mente aberta, livre de preconceitos. E muitos os tem mesmo, não todos infelizmente. Mas mesmo entre membros do grupo eu ficava receosa, e quando encontrei os brasileiros e disfrutamos daquele tempo juntos, foi uma sensação de segurança e conforto.

Balada

Balada

O clima da festa era animado e de todos os lugares que eu visitara e tivera a oportunidade de encontrar membros do Couch Surfing, foi lá, na pequena cidade de Valladolid que  encontrei o grupo mais unido e fraternal. De todos que estavam lá, creio que não havia ninguém mais extrovertido e animado que o mexicano Enrique, o Kike. Sempre com uma piada pronta e um sorriso escancarado no rosto. Não sei bem se porque estava boa ou porque não tinham comparativo com outras, mas a caipirinha foi aprovadíssima, especialmente por Mario, vallisoleteno, e Andrea, uma mexicana linda que me afeiçoei assim que conheci. Os dois reproduziram outras doses, com porções tão generosas de açúcar que adoçariam outros tantos litros.

Rúben, meu host, Deisy e Juan

Rúben, meu host, Deisy e Juan

Por volta da meia noite a polícia bate na porta e a pequena argentina é avisada que vizinhos reclamavam do barulho, o que me causou bastante espanto levando em consideração as festas que acontecem em casa durante toda a madrugada e que nunca causaram incômodo à vizinhança. Além disso, o clima era contagiante, mas não havia música e as pessoas apenas conversavam e riam. Mas era assim que funcionava e são desses detalhes que me refiro quando me preocupava com o choque cultural. O grupo se reuniu e fomos caminhando pelas ruas tomadas pela névoa até uma balada. No caminho, eu e Bruno cantávamos ‘Polícia’ e ‘Comida’, dos Titãs. No apartamento já estava difícil memorizar todos os nomes e conhecer todas as pessoas, na balada então era impossível. Em meio ao som alto, rimos, dançamos, tiramos fotos. E é claro que não deixou de tocar ‘Ai se te Pego’, que se transformou praticamente na canção tema da minha viagem. A febre em relação a essa música era tão grande, eu a escutava em tantos lugares, que passei até a sentir carinho por ela apesar de não fazer parte do meu gosto musical. Saímos de lá perto das 6 horas da manhã, mas boa parte do grupo ainda queria mais. Fomos em direção à outra balada, mas achamos o preço muito alto para passar apenas uma hora ou um pouco mais. Os sobreviventes da noite, Ruben, Natália, Juan, Vanessa e eu voltávamos para casa de Rúben. Na ponte que atravessa o Rio Pisuerga que estava coberto pela névoa, Juan brincava me empurrando para correr no chão de madeira escorregadio por causa da fina camada de gelo que se formara. Os cores dos carros estavam escondidas pelo branco do gelo.

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Frio de Valladolid

Chegamos no apartamento de Rúben cerca de 7 horas da manhã e fechamos a noite cozinhando um macarrão à Carbonara comandados pelas ordens de Vanessa. Momentos simples que ficarão marcados para sempre em minhas lembranças. Em muitos momentos em me silenciava e apenas observava aquelas pessoas e a alegria que irradiavam. Eles eram todos tão lindos…

Macarrão à Carbonara às 8 hs da manhã

Macarrão à Carbonara às 8 hs da manhã

Mais fotos, acesse: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.329990397021819.79467.100000325830399&type=1

 

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3 pensamentos sobre “Jantar argentino, caipirinha e diversão na noite de Valladolid

  1. Chego a sentir sua alegria e entender a saudade que vc sente da experiência vivida na viagem, Adorei esse relato, pq veio seguido de fotos dos momentos felizes em Valladolid. Aliás, a Espanha entrou na sua veia e faz parte da sua vida, não?

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