Como recuperar o tempo perdido?

Tempo, tempo, tempo...

Tempo, tempo, tempo…

Uma manhã eu acordei e me dei conta de quanto tenho sido ingrata com o tempo, culpando-o pelo que não fiz. Com medo do que não farei. O que impossibilita experiências na vida não é ele. É a insegurança de arriscarmos, o quanto dormimos mais que necessitamos, as prioridades que elegemos, as decisões que tomamos. Como recuperar o tempo perdido? O tempo nunca é perdido. Só podemos perder o que temos. O tempo não é de ninguém, não tem dono. É tão e somente generosidade distribuída a todos. O bem mais precioso que qualquer ser humano pode receber. É ele que abre as portas para as possibilidades, para a realização dos sonhos, para o amadurecimento do espírito, para a cicatrização das feridas.

De todos os desejos inatingíveis do homem, creio que não há nenhum outro que se compare ao de comandar o tempo. Quem um dia não desejou voltar ao passado? Quem nunca pensou em conhecer seu futuro? O elixir da juventude é um desejo representado em contos como a solução para a felicidade. O desejo de prender o tempo dentro de nossos corpos.

Sentimos mágoa por ele ser esgotável. Recebemos um suprimento de tempo ao nascermos e o usamos de maneira inconsequente e leviana. A juventude nos inebria e mergulhamos na busca da euforia que cega. A velhice nos traz um ressentimento pelas perdas obtidas da beleza que se esvai, do corpo que não é mais tão saudável… Mas isso não seria um desejo insaciável de explorar apenas o que o mundo pode nos oferecer? Não seria sempre a hora de explorarmos nosso próprio espírito? Teríamos a possibilidade de sermos melhores se tivéssemos uma vida eterna? De sugarmos todas as experiências com a importância que elas merecem? Depois de uma expedição pela Antártica, Amir Klimk contou:

“Já ancorado na Antártica ouvi ruídos que pareciam de fritura.

Será que até aqui existem chineses fritando pastéis?

Eram cristais de água doce congelada que faziam aquele som quando entravam em contato com a água salgada. O efeito visual era belíssimo. Pensei em fotografar, mas falei para mim mesmo:

Calma, você terá muito tempo para isso…

Nos 637 dias que seguiram o fenômeno não se repetiu…

As oportunidades são únicas.”

Por que valorizamos tanto a beleza do que é raro? Porque sentimos o medo da perda, do nunca mais. Porque o raro é indisponível, portanto melhor observado, sentido. Mas se não há tempo que se repita, cada momento é raro. Nunca mais estarei escrevendo ou pensando exatamente como agora. Nunca mais verei a luz do sol da mesma maneira que ela reflete no espelho do meu quarto nesse momento. E o olhar do meu filho será outro amanhã, será outro daqui uma hora, daqui um minuto…

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