Blade Runner – O Caçador de Andróides

A superpopulação numa mistura caótica de estilos

A superpopulação numa mistura caótica de estilos

Gravado em 1982 e lançado em 1986 aqui no Brasil, Blade Runner – O Caçador de Androides foi um fracasso de bilheteria. Recebeu várias indicações, inclusive ao Oscar, sem levar nenhum prêmio, mas não demorou muito para se tornar um filme ‘cult’. Mais tarde entrou para a lista dos 100 Melhores Filmes de Todos os Tempos. Os bastidores das filmagens escondiam conflitos entre a equipe técnica e o diretor Ridley Scott. Depois de estourar o orçamento, o diretor foi demitido e recontratado posteriormente. Harrison Ford não se entendia nem com Ridley Scott, tão pouco com Sean Young. Ao que tudo indica, o caos que o filme retrata contagiou todos que trabalhavam no projeto.

anúncios comerciais representam o domínio japonês sobre a Terra

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O filme descreve um futuro em que a engenharia genética cria ‘replicantes’, robôs fabricados para serem escravos em colônias extraterrestres. São inteligentes, possuem superioridade de força e agilidade, mas assustadora é semelhança com o ser humano que vai além da visual, mas também da emocional e existencial. Após uma rebelião, os replicantes são proibidos de viver na Terra sob a pena de serem ‘aposentados’, eliminados. Deckard (Harrison Ford) um ‘blade runner’ como eram chamados os caçadores de androides, é designado para perseguir um grupo de replicantes refugiados em Los Angeles e que são liderados por Roy Batty, impecavelmente interpretado pelo holandês Rutger Hauer.

Harrison Ford como blade runner, o caçador de androides

Harrison Ford como blade runner, o caçador de androides

Até aí teríamos uma história de ficção científica e aventura, mas o filme trata também de questões existenciais. Temos a busca de Batty pelo seu criador que ele chama ‘Father’, comparando o humano criador de vidas com Deus. Os replicantes tem pouco tempo de vida e o filme retrata uma busca desesperada de tempo que reflete o medo da morte tão comum em nossas vidas. Deckard é assombrado pelo receio de perder a mulher que ama, Rachael, interpretada pela bela Sean Young que encena uma replicante frágil e confusa. E todos nós não sentimos o mesmo receio ao amarmos? Além do seu envolvimento amoroso com ela, fica explícito o julgamento pessoal do policial no que diz respeito a decidir entre a vida e a morte, pois sabe que Rachael não é humana, mas a protege.

Blade Runner e a replicante Rachael

Blade Runner e a replicante Rachael

Inicialmente a crítica em relação ao filme foi contraditória e muita gente achou que o ritmo lento não combinava com uma ficção científica, mas a história nos faz refletir. E aparentemente não só o público enfrentou dúvidas. Sete versões diferentes foram lançadas. Deckard pode ou não ser um replicante. O próprio Harrison Ford odiou a última cena onde ele faz uma narração numa tomada agregada posteriormente na segunda versão em que foram aproveitadas imagens do filme ‘O Iluminado’. E mesmo após tanta polêmica e controvérsia, há a possibilidade de fazerem a continuação.

O cenário do filme é baseado na desintegração de uma sociedade. Prédios antigos que um dia teriam sido majestosos, ruas movimentadas e cosmopolitas, mercadores de rua, lixo não recolhido e uma interminável chuva ácida causada pela devastação do eco sistema cai sobre a cidade de Los Angeles, em 2019. Colunas gregas e romanas, dragões chineses e pirâmides egípcias são misturados com neon gigantesco da Coca-Cola, naves que voam e tecnologia avançada numa mistura caótica de estilos. Anúncios comerciais de firmas japonesas predominam pois, segundo o filme, já teriam o domínio financeiro e político da Terra. O aspecto comportamental não é menos caótico. Uma polícia onipresente, o poder sobre o indivíduo, uma superpopulação representada de forma paranóica, apática, fria e impessoal.

Rachael

Rachael – Sean Young

A trilha sonora composta por Vangelis é brilhante combinando a melodia clássica com sintetizadores futuristas que reforçam a mistura de gêneros que foi criada em todos os aspectos desse filme. A iluminação é inspirada em filmes noir. A escuridão predominante se torna bonita quando as sombras e luzes surgem revelando personagens, realçando o espírito das cenas. O figurino, o penteado da heroína, a decoração com suas venezianas e ventiladores são inspirados na charmosa década de 40. Não faltam também punks de óculos escuros nas noites chuvosas, esfarrapados e sujos desleixados como figurantes das cenas.

Rutge Hauer impecável como o replicante Roy Batty

Rutge Hauer impecável como o replicante Roy Batty

Nada disso impediu que o filme se tornasse poético. Exemplo disso é a frase mais famosa da história. Nos últimos minutos de vida do androide Roy Batty ele fala:

“Eu vi coisas que vocês não acreditariam.

Naves de ataque em chamas na órbita de Orion.

Eu vi raios-C relampejando no escuro próximo ao Portal de Tannhauser.

Todos esses momentos vão se perder no tempo,

como lágrimas na chuva.

Hora de morrer”

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