Mais surpresas de Sevilla

Continuamos a andar por aquele imenso parque, que certamente levaria muitos dias para eu conhecer inteiro se me dedicasse a visitar cada cantinho dele e me inteirar de todas as informações e histórias que o cercam. A cada passo uma beleza diferente era vista. Tudo feito e conservado com tanto esmero e significado. Fontes, lagos, cerâmica espalhados por toda parte me encantavam como se eu nunca tivesse visto nada parecido até o momento.

Nossa próxima parada foi no Museo de Artes y Costumbres de Sevilla. Apesar de todas minhas pesquisas antes de viajar e de querer conhecer o Parque Maria Luíza, eu não tinha a menor ideia do tamanho dele e de quanta coisa eu poderia ver.

Logo na primeira entrada, dois potes de cerâmica gigantes me impressionaram. Em uma sala, vestimentas feitas à mão, rendas, lenços dispostos por pedestais muito claros, quase transparentes, davam uma impressão um pouco fantasmagórica.  Um trabalho precioso.

Atravessando o jardim de inverno, uma outra sala gigante dispunha de grandes vitrines onde aposentos de nobres foram reconstituídos.

Bem próximo a esse museu, em uma praça, brinquedos aguardavam crianças, mas muitas pombas preenchiam o espaço e esperavam arrulhando pelas migalhas de pão que uma senhora lançava ao chão. Um lindo relógio de sol marcava as horas… Pensei em Diogo, meu filho menor. Não seria nada mal levá-lo ali para brincar aos domingos.

Conheci outro museu, Museo Arqueologico de Sevilla,  que foi uma grata surpresa para mim. Sempre fui fascinada por arqueologia e não imaginava que encontraria ali um lugar com tantas coisas que iriam me maravilhar. Muitas estátuas do império romano enchiam os salões vazios. Mosaicos bizantinos enfeitavam vários lugares, do piso à parede e teto. No andar inferior, mais descobertas arqueológicas expunham moedas, brincos, pontas de flechas, ferramentas e utensílios domésticos que um dia foram usados.

Ainda andamos um pouco pelo parque. Resolvi experimentar uma mexerica das árvores que infestam as ruas de Sevilla. Haviam muitas em Roma também. Apesar do aviso de Enrique sobre o quanto era amarga, não resisti. Ao colocar na boca, um gosto horrível e uma acidez que nunca provara na minha vida me fez cuspí-la na hora. Poucos minutos depois meu lábio inchou e uma pequena ferida me lembrou minha teimosia por quase uma semana, tempo que levou para cicatrizar.

Já fora do parque, a próxima parada foi na antiga e tradicional Fábrica Real de Tabacos, hoje uma universidade. Uma construção feita com pedras, do século XVIII, a segunda maior da Espanha que segue o gênero de arquitetura industrial do Antigo Regime e está muito bem conservada, sendo uma das mais antigas também. Um edifício espetacular. Dentro dela, os corredores apinhados de estudantes contrastavam a juventude com a construção centenária.

Já estávamos famintos e fomos até um bar que não lembro o nome. Adorei lá. Um dos lugares mais legais onde comi. Quando chegamos, eles já estavam fechando para limpeza, pois reabririam à noite. No caminho para lá eu só seguia os passos rápidos de Enrique, estava totalmente perdida. A fachada exibia uns painéis de cerâmica pintados à mão, com cenas de cozinheiros, pessoas sendo servidas e emolduravam as janelas e portas cheias de vidros que oferecia visão do interior do bar. Entrando o bar era maior que aparentava. Na parede dos fundos uma escada de degraus largos forrados de azulejos pintados, acompanhando a decoração do resto do bar, serviam de arquibancada onde à noite lotaria de pessoas tomando caña. Nos esbaldamos de jamón, gambas, outra porção que não me recordo e ainda pedi um bocadilho. Nossa! Como eu comi aquele dia! Estava uma delícia!

Próxima ao bar, entramos em uma bela igreja e depois seguimos em direção ao  Metropol Parasol  de la Encarnación, conhecido como las Setas de la Encarnación. Havia um mercado em péssimas condições que foi demolido para dar lugar a um estacionamento. Durante as escavações, foi encontrado um sítio arqueológico da época do Império Romano. O projeto mudou e foi feito um museu no subterrâneo, o Museo Antiquarium, onde as vitrines ficam sob nossos pés, protegidas por vidros. Pelo elevador, subimos até o mirador que abre uma visão 360º da cidade de Sevilla. Um espetáculo que foi colorido por um pôr-de-sol maravilhoso. A construção em si, apesar de linda, não me agradou muito por ser tão moderna, parecendo um peixe fora d´água em um lugar que qualquer imagem nos transporta a uma viagem no tempo.

E assim acabou nosso dia. Me despedi desse querido amigo. Ele me proporcionou um dia lindo,cheio de lindas imagens e muita informação. Um amigo que espero ter para sempre.

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