Plaza de Toros y Plaza España

 

Atravessei a ponte retornando ao Paseo de Las Delícias, agora, já muito próxima a Plaza De Toros, me deparei com um senhor que pintava uma tela e uma escultura de Antonio Mainera, um cantor flamenco, que era tão feia que parecia um homem gritando em desespero, destoando da beleza ao redor. Estátuas em homenagem a grandes toureiros salpicavam o Paseo naquele ponto e uma grande alameda coberta por galhos secos floresceriam quando eu não estivesse mais ali. Todo o tempo eu pensava como eu gostaria de voltar e conhecer uma outra Espanha em outras estações do ano, com suas flores colorindo a paisagem e vivenciando hábitos adormecidos no inverno.

 Em frente a grande fachada branca com detalhes em amarelo escuro e terracota, que me fez lembrar os filmes de Zorro, charretes e seus cavalos aguardavam turistas para um passeio e aqueciam-se sob o lindo sol do dia. Entrei na Plaza de Toros de la Real Maestranza de Cavalaria de Sevilla, a mais antiga praça de touros da Espanha. E esperei cerca de 10 minutos para fazer uma visita guiada à arena que fora palco da polêmica tradição onde homem e touro se enfrentam. Não tenho certeza, mas acho que não há mais touradas lá.

 Na pequena recepção, antigos cartazes anunciavam touradas forrando a parede de tijolos. Arandelas com sua luz amarelada davam um ar antigo dentro da galeria de tijolos à vista, com seus grandes arcos e painéis de azulejos pintados à mão que contavam um pouco da história do lugar e lembrava as ilustres personalidades que por lá passaram.

 Um enorme portão de ferro retorcido trabalhado como uma renda abre os braços para a arena. As escadas das arquibancadas numeradas eram decoradas com o mesmo esmero de todo resto com pequenos azulejos azuis e brancos. A imensa arena de areia estava silenciosa, nada lembrando os espetáculos para a qual foi feita. Apesar de eu não ser admiradora de touradas, não pude deixar de sentir curiosidade de assistir a uma, como também não pude deixar de sentir uma leve semelhança com o Coliseu, onde as criaturas que estavam condenadas à morte eram de outra raça.

 No museu que visitei em seguida, cabeças de touros mortos por grandes toureiros distribuídas nas paredes me deu um pouco de agonia. Haviam quadros, gravuras, desenhos, esculturas e vestuários exibidos nas câmaras com luz fraca. Encantei-me com as gravuras e com as roupas coloridas e ornamentadas. Mais à frente a capela onde os corajosos toureiros rezavam estava fechada por uma grade, mas era pequena e era possível admirar a riqueza ostentada em ouro.

 Já era fim da tarde e voltei para casa de Mario pelo Paseo de Cristóbal Colón e depois me embrenhando pelas pequenas ruelas, que por si só já era um passeio digno de se fazer. Sinceramente eu simplesmente não consigo me lembrar o que fiz aquela noite. Com certeza em casa não ficamos. Mário nunca ficava em casa. É um homem cheio e amigos de diferentes tribos. Seguramente devemos ter saído para tomar uma cerveja.

 No dia seguinte encontrei-me com Enrique. O conhecera através do Couchsurfing, mas nunca havíamos nos visto pessoalmente. Ele se apresentara a mim certa vez, quando eu postara que gostaria de exercitar espanhol, mas pouco tempo depois que começamos nos comunicar, as aulas de espanhol se transformaram em conversas agradáveis. Fomos ao Parque Maria Luíza e nossa primeira parada foi a Plaza España. Magnífica!

 Construída em 1929, reproduz perfeitamente a arquitetura da época, sem esquecer a influência árabe que invade toda a arte da região de Andaluzía, sendo um dos espaços arquitetônicos mais espetaculares da cidade. Fiquei boquiaberta com a magnitude daquela praça. Construída para que receba sol em qualquer horário do dia, forma uma meia lua aberta que representa o abraço da Espanha e de suas antigas colônias. É totalmente decorada com tijolos à vista, mármore e cerâmica. Uma fonte impera no meio da praça, mas foi construída depois e não existia no projeto original.

 Acompanhando a forma semi circular do edifício, há um canal que é atravessado por quatro pontes e que transforma-se em um grande espelho d’água . Cada ponte significando um dos quatro antigos reinos da Espanha. Também acompanhando o prédio, bancos em forma de U são ornamentados em cerâmica e formam pequenos espaços individuais que representam as províncias espanholas. No chão, mapas da região e acima dos bancos, mosaicos com eventos históricos e os brasões de cada capital de província. Me perdi em pensamentos observando atentamente os desenhos que se referiam às cidades que visitei e que ainda iria visitar. Uma riqueza de detalhes impressionante.

 Alguns ciganos vendendo produtos enchiam a praça com o som das castanholas e bastava eu passar ao lado de uma cigana que vinham com um raminho de ervas a fim de tentar ler a minha sorte em troca de alguns euros. Enrique me presenteou com uma caixinha de castanholas que eu inutilmente tentei arrancar algum som, mas o único que consegui se assemelhava mais a cascos de cavalo do que a qualquer melodia.

 Pela Alameda Hércules fomos caminhando pelo imenso parque que reservava surpresas em cada canto por onde desviei meu olhar. Fontes, potiches gigantes de cerâmica, estátuas… Eu não consigo descrever tanta beleza…

Mais fotos da Plaza de Toros, acesse o link https://www.facebook.com/media/set/?set=a.467730876581103.106867.100000325830399&type=1

Mais fotos de Plaza España, acesse o link https://www.facebook.com/media/set/?set=a.469397773081080.107260.100000325830399&type=1

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Um pensamento sobre “Plaza de Toros y Plaza España

  1. Sinto que tudo o que vc viu nesse passeio é indescritível, lindo demais!!! Sem palavras!!! Puro privilégio!! Relembre, guarde em seu coração, compartilhe e se alegre com a oportunidade que teve de vivenciar tanta beleza.

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