Guerra dos Sexos


Passei a vida ouvindo mulheres. Mãe, tias, filhas, amigas, alunas, clientes ou aquelas que simplesmente estavam em minha frente na fila do banco. Falam de seus homens, ou da falta de deles. Suas dores, seus sonhos e frustrações. Aqui não exponho uma tese, só divido com vocês, como tantas outras mulheres o fizeram comigo, sentimentos e reflexões despertados a partir de textos, links e mensagens que fala da nova postura da mulher na sociedade.

Começo compartilhando com vocês um texto de Tati Bernardes

“Homem tem medo de mulher independente! Pior ainda: Homem tem medo de mulher que BOMBA! Aí que o cara conhece uma gata, linda e com estilo nada convencional de se vestir, bebe tanto quanto ele. Se ele não quiser sair, ela sai só com as amigas, topa qualquer saída… Não tem tempo ruim, banca suas coisas. Se tiver meio sem grana, se diverte como dá. Se tiver bem de dinheiro, pode até pagar pras amigas. Conversa com todo mundo, conhece muita gente. Falando assim, parece bem divertido ficar com uma mulher dessa… E é! O PROBLEMA É QUE GRANDE PARTE DOS HOMENS NÃO SEGURA A ONDA DE UMA MULHER PAU-A-PAU COM ELES, aí eles namoram a Sandy, a Sandy é fácil de namorar. Ela sai, mas não dança até o chão, ela não bebe. Nada de decotes ou mini saias. Se o namorado não quiser, ela não sai. Ficam em casa, assistindo comédias românticas… Mas quer saber? Mulher que bomba dispensa homem sem coragem! Mulher de verdade assusta! Uma grande mulher não precisa de homem para se destacar, mas para ser um grande homem com certeza precisa-se de uma GRANDE MULHER…”

A palavra feminista há muito deixou de ser usada pelo seu sentido real, virou mais um termo pejorativo para mulheres que supostamente não conseguem ou não tem um companheiro, e quando o têem, o pobre coitado leva fama de não passar de um bunda mole. Nunca se usou tantos termos e nomenclaturas que definem as mulheres baseadas na roupa que usam, no tipo físico ou hábitos sociais e profissionais. São expressões e palavras que confesso me causam repulsa. Mulherzinha, mulherão, piriguete, para namorar, para casar, cachorra e por aí vai.  A mulher que BOMBA para mim é nova… mais uma para o glossário.

Por favor, não me esfolem amigas… O texto começou bem. Tava legal! Mas acho que enquanto mulheres estereotiparem outras mulheres como ela fez com Sandy, só estaremos dando combustíveis para babacas continuarem a nos bombardear com estereótipos que não nos agradam. Eu não conheço a Sandy, e para falar a verdade nem me importo com os hábitos dela. Na minha vida não faz a menor diferença o que ela fala como figura pública. Mas como mulher faz diferença tanto quanto qualquer outra que eu escute. Não foi ela que foi massacrada tempos atrás por uma declaração na Playboy? Essa declaração rendeu muitos comentários e na maior parte deles machistas, como vários que seguem no link abaixo e que foram dados por outras figuras públicas. Eles sim me fizeram sentir vergonha alheia! http://celebridades.uol.com.br/noticias/redacao/2011/07/28/declaracao-de-sandy-sobre-sexo-anal-vira-assunto-do-momento-no-twitter.htm

Mulher bem resolvida não precisa seguir um padrão de comportamento.  Uma mulher delicada, que gosta de ficar em casa, que curte assistir uma comédia romântica ao lado de quem te dá prazer também pode ser uma mulher livre. Não precisamos usar decote e mini saias, beber tanto quanto ou mais que os homens ou descer até o chão para provarmos que somos livres. Mas se o quisermos, pela simples urgência de estarmos vivendo o que realmente nos faz feliz no momento, daí sim, devemos fazê-lo.

Um homem precisa de uma grande mulher, tanto quanto uma mulher precisa de um grande homem. Não acredito nesse argumento que não precisamos de ninguém. Todo mundo sente uma necessidade emocional vital de dividir sua vida, suas experiências e prazeres com outras pessoas. Sejam homens ou mulheres. Negar isso e colocar todos homens em uma posição de dependência à figura feminina para alcançarem o sucesso é uma forma de vingança por tudo que repudiamos por anos e anos. Comentários como esse só aumentam o abismo na comunicação entre heterossexuais.

Além disso o termo “uma grande mulher” sempre se referiu à ‘Amélia, a que era mulher de verdade’ , à mulher que ficava nos bastidores dando suporte ao homem. A mulher invisível.  A liberdade só será verdadeira quando todos nós tivermos a chance de sermos quem queremos ser ao lado, ou não, de um parceiro que nos apóia e respeita. Eu quero ser uma mulher livre. Às vezes eu sou, às vezes não consigo. Mas me recuso a entrar em uma guerra de sexos para provar quem é superior à quem.

“Mulher de verdade assusta!”  Até hoje não conheci um homem que realmente se apaixonou e que não partiu para cima. Por mais que os hábitos tenham mudado, quando alguém sente admiração, atração e vontade de ficar com alguém, esquece tudo e vai para o abraço. Se alguém não foi, talvez até tenha levado um susto com sua postura sim, mas só desistiu porque o sentimento não era forte o suficiente. O que realmente assusta é que estamos bem no meio do olho do furacão de radicais mudanças comportamentais.

Concordo que ainda há uma maioria machista, mas infelizmente os homens não estão sozinhos. Muitas mulheres são tão machistas quanto eles. Muitas tem agido com o mesmo padrão comportamental que era repudiado tão pouco tempo atrás. Não estou falando de sexo, mas de um desleixo com o sentimento alheio. Frases feitas cheias de provocações insinuam uma suposta superioridade. Homens e mulheres fazem isso o tempo todo. Mulher é ‘gasolina’, homem é galinha, mulher que só pensa em dinheiro, todo homem é insensível… uma overdose de besteira vomitada todo tempo de forma irresponsável e banal.

Tenho repensado minha vida. Revivido sentimentos e decisões. Para mim, não interessa o que a sociedade dita o que é ser uma mulher livre. Eu sei que a minha liberdade só acontecerá quando minhas posturas refletirem vontades próprias independentemente da pressão que os conceitos e regras impuserem. Assim eu serei feliz. Assim eu serei livre.

Aqui eu critico algumas posturas femininas, mas no próximo post será impossível não deixar minhas impressões negativas em relação a algumas posturas masculinas. Em “Os homens que odeiam as feministas” Ivan Martins aborda o mesmo tema do texto de Tati Bernardes, mas com uma lucidez impressionante, sem economizar puxões de orelha aos homens mal resolvidos.

Anúncios

2 pensamentos sobre “Guerra dos Sexos

  1. Pingback: Feminista & Feminina | Sonhos em Mosaico

Seja você uma parte desse mosaico. Compartilhe suas impressões, sentimentos e opiniões aqui.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s