Jardins de Youssef III e Palácio Carlos V

 

Segui em direção aos jardins que circundam o Palácio Youssef III. Não os visitei em dias em que eles mostram toda sua exuberância, e apesar de ter me encantado com aquele imenso labirinto de pequenos muros vivos, desejei muito voltar lá na primavera, onde a flora exótica colore os muros verdes e os topos das árvores.

Sentei-me um pouco para descansar enquanto observava um casal de idosos de mãos dadas que sentavam-se em um banco do jardim para analisar o mapa do local. Muitos gatos já familiarizados com os constantes visitantes, andam por ali. Alguns procuravam o sol para se esticar e aquecer o corpo. Atrás de mim, sem uma única folha, uma árvore demonstra sua força carregando em seus galhos secos uma quantidade enorme de caquis, muito laranjas que colorem o jardim predominantemente verde. Ao lado do banco onde eu estava, três grandes vasos exibiam uma planta que nunca tinha visto. Pareciam grandes alfaces crespas, mas de folhagem mais curta e mais crespa. O que impressionava nessas plantas era seu colorido que ostentava uma palheta de cores que se alternavam entre verdes de diversas tonalidades, roxos, lilás, púrpura e um doce amarelo claro.

Se eu me dirigisse à esquerda, eu teria acesso a outros jardins magníficos, mas o bilhete de visita à Alhambra dava direito à quatro horas de circulação dentro do complexo, e como eu sempre me perdia em pensamentos e imagens, sabia que para mim seria pouco. Optei em ir em direção ao Palácio Carlos V.

Uma linda igreja ao seu lado estava fechada, mas sua arquitetura cheia de desníveis, torres e janelas era linda.

A arquitetura do Palácio Carlos V, perfeitamente conservado, é muito diferente dos outros palácios do complexo, pois foi construído pelos cristãos, em estilo renascentista, por volta de 1.500 d.C. Não é à toa que essa construção é considerada uma das mais belas da época, fora da Itália. Antes mesmo de entrar, a visão da parte traseira do enorme palácio já é admirável.

A parte externa do Palácio Carlos V é formada de enormes blocos metodicamente desnivelados que sugere uma imensa colmeia tridimensional. Certamente em um filme de Indiana Jones, um desses blocos seria empurrado parede adentro para abrir uma passagem secreta. Grandes e pesados anéis de ferros se estendem por todas as paredes laterais, mas quando posicionados ao lado de imponentes estátuas de leões que protegem o palácio, reforçam a importância deles, como aspas que prenunciam uma frase especial.

A base de pedra das colunas da fachada, exibem batalhas esculpidas numa riqueza de detalhes e uma impressão de profundidade impressionantes. Anjos, guirlandas de frutas, brasões, colunas… tudo enriquece a arquitetura. A grande porta de entrada de madeira maciça, intimida, cravejada de detalhes em ferro que parecem espinhos a avisarnos que devemos tomar cuidado com o que nos espera do lado de dentro.

O palácio por fora é basicamente um quadrado gigante, e quando atravessamos aquele portal da fachada, nos deparamos com um enorme pátio a céu aberto, em forma circular. No centro daquele pátio, como uma criança segurada pelos punhos, eu poderia rodar até cansar e deitar ao chão olhando o céu recortado pelo telhado. Imaginei como seria isso à noite, olhando estrelas e longe de tantos turistas. Pensei que alguém, um dia, que viveu ali, teve a oportunidade de fazer isso. E se o teria feito. Provavelmente não… E pensei quantas coisas estão à nossa disposição e não conhecemos o valor delas e as possibilidades que nos oferecem…

Os corredores dos dois andares possuem enormes e lindas portas de madeira maciça, que só por estarem fechadas, me deu a sensação de guardarem muitos segredos e mistérios. Os grandes lampiões de ferro só aumentam a beleza do lugar e as colunas da parte inferior são formada por mosaicos multicoloridos de pedras. Escadas em largas meia-espirais fisgavam cada visitante ao andar superior, onde o pátio tomava outra dimensão, onde as pessoas pareciam pequenas e insignificantes. E é lá, no segundo andar, onde eu presumo que o rei mirava seus subalternos já tão intimidados pela construção, e reforçava seu poderio, seu elevado poder.

O sol que batia no recorte do telhado circular que abria espaço para o pátio e para o corredor superior, tecia sombras, sob o teto de madeira trabalhada, que praticamente faziam parte da arquitetura, e reluzia uma luz que cegava com o reflexo no mármore do chão.

Mais passos de despedida… Dolorosos passos… Sentimentos de plenitude de ter tido o privilégio de ver aquilo tudo, de estar ali, se misturavam com uma tristeza de despedida, um sabor de quero ficar mais um pouco, do desejo de voltar…

Veja mais fotos acessando o link https://www.facebook.com/media/set/?set=a.447747601912764.101548.100000325830399&type=3

Anúncios

Seja você uma parte desse mosaico. Compartilhe suas impressões, sentimentos e opiniões aqui.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s