Calendário

“Que beleza! Perdi a noção do tempo!

Flutuo no azul dessa manhã de sol, feliz com o vento e a luz, os ouvidos cheios de vozes difusas, como um pássaro que quisesse saciar sua saudade da paisagem ou, digamos, como um urubu adolescente que ensaiasse o primeiro vôo e descobrisse, de repente, a alegria do mundo!

Prometo no final cumprir a desagradável tarefa de tomar conhecimento do calendário — este desmancha prazer. Afinal, o tempo — como dizia alguém que deve ter dito isso — é uma ilusão. Não é que ele passe, nós é que passamos — disse mais alguém.

Pois é, e o raio da folhinha vem estragar o prazer da gente, dizendo que o tempo marcha! Para mim, sabe, quando o diabo fez aquela papagaiada com nossos ilustríssimos ancestrais, Adão e Eva, deu a eles não foi só a maçã, deu também um relógio e uma folhinha!

Claro! Com isso — disse ele com seus botões — esses baianos vão numerar as horas, quadricular a vida e esquecer da eternidade!”

Alfredo Leite

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4 pensamentos sobre “Calendário

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