La Giralda e arredores… uma overdose de energia e belas imagens

Acordei cedo, cheia de energia e ansiosa para conhecer cada pedacinho daquela cidade cativante e encantadora. Tomei um banho delicioso e ao que parece, a ducha do quarto do hostel resolvera colaborar e estava bem quente. Me sentia faminta, pois não havia comido nada na noite anterior. Saí e tomei um café da manhã em uma padaria na esquina da rua onde estava hospedada. Caminhei em direção a La Giralda, e por lá me perdi praticamente por todo o dia.
Uma das laterais da Catedral de Sevilla é voltada para a bela, agitada e movimentada Avenida de La Constituición. Meus pés passavam pelas mesmas pedras que recobriam aquela rua que eu caminhara de madrugada a chegar na cidade. Sob a claridade do sol, meus passos não faziam tanto eco. As janelas sem a luminosidade difusa não escondiam nenhum mistério e detalhes escondidos pelas sombras da noite, se mostravam orgulhosos como pavões de cauda aberta. Cada construção contribuía com a beleza da avenida. Uma enorme loja da fnac expunha lindas fotos em sua fachada, parecendo uma homenagem às tradições espanholas. Em uma esquina, uma família fazia uma pausa depois de tocar um ritmo vibrante e divertido que hipnotizara uma pequena multidão que aplaudiu-os com entusiasmo.
 
O prédio Arquivo das Índias que segue a outra lateral da catedral é uma construção lindíssima e ocupa um quarteirão inteiro. Lá, mais de 43.000 documentos são guardados com as histórias das conquistas das colônias espanholas, exibindo mapas e desenhos dessa trajetória. À sua frente, palmeiras imperiais cujas mudas foram levadas daqui do Brasil, tão características nas pinturas de Debret, trazem o verde para realçar as cores pastéis da construção. Charretes vendendo passeios que prometem uma viagem no tempo, nos leva a um tempo onde os homens ainda sonhavam em descobrir as terras além do oceano. Em uma de suas laterais, uma enorme cruz lembra a importância do catolicismo nessa história. Na face oposta, uma estátua de Maria carregando Jesus em seus braços, num pequeno altar, protege o lugar.
À frente dessa estátua, ainda seguindo a segunda face da imensa Catedral de Sevilla, se situa a Plaza Del Triunfo, onde outra linda estátua de alguma santa que não sei qual é, mas mais imponente, pois sua altura intimida e lembra um alto obelisco. Em sua base, degraus me lembram um pombal, onde vários jovens  procuram um sol que os aqueça, inebriados pelo som de mais um dos talentosos artistas que dão vida às ruas de Sevilla, tocando sua música que ecoa pelos arredores como uma trilha sonora de um filme com imagens fascinantes. No sentido oposto ao da Catedral, a Plaza Del Triunfo divide o espaço com as muralhas medievais de Alcázares.
Nesse ponto, a arquitetura da Catedral demonstra o poder e a influência de outra época e outra civilização através da abóboda que não existe na lateral oposta da construção. Abóbadas e campanários eram a assinatura da conquista e do poderio cristão em relação aos muçulmanos, e a torre mais alta da Catedral, onde surge única, absoluta e imponente La Giralda, fica na terceira lateral e à sua frente uma grande e bela fonte marca outra entrada.
A quarta face desse quarteirão gigantesco ocupado exclusivamente pela Catedral, é endereço de vários restaurantes e bares à sua frente. Uma das entradas da Catedral estava parcialmente aberta, liberando a inesperada visão para um pátio interno. Quase parecia ser outra construção, lembrando uma capela das cidadezinhas do litoral brasileiro. O pátio, onde as populares árvores carregadas de mexericas colorem o ambiente, não distraem nossa atenção para outro ângulo da gigantesca torre recortada pelo imenso arco de entrada, ricamente trabalhado em detalhes, e protegido pelo gigante portão de ferro com cerca de três ou quatro metros de altura, onde seu puxador exibe um tom ocre, polido pelo toque de mãos no decorrer de séculos.  Deve pesar uns cinco quilos… uma peça magnífica! O desenho do relevo da porta nos faz lembrar que a origem da construção é muçulmana.
Extasiada pela beleza e pela intensidade de energia que circunda esse monumento, me perdi em meus olhares por muito tempo. Depois de horas, passei pela Plaza Nueva, já limpa e sem nenhum indício que, há menos de 24 horas, dava vida à praça, uma feira de artesãos criativos e movimento de pessoas encantadas e alegres. A praça estava calma e a linda estátua de San Fernando, que por mais que eu tenha pesquisado, não consegui descobrir quem foi e qual sua importância na história espanhola, e que na noite anterior estava escondida dando espaço a outras atrações, marcava, imponente, com espada ao alto, sua magnitude. Por trás do nobre cavaleiro reluzia um sol brilhante que parecia oferecer à estátua, o realce merecido.



 Já na Avenida de Los Reyes Católicos, agora mais tranquilo e com menos gente, parei em um pequeno restaurante com mesa na calçada e lá pedi um tapa e uma cerveja enquanto escrevia algumas sensações em meu moleskine. Então um garçom peruano, que depois de me perguntar de onde eu era, fez questão de contar como foi sua vinda a Espanha e terminou o assunto me pedindo para retornar às 23 horas para encontrá-lo na saída de serviço, me fez sair rapidamente do lugar em busca de privacidade. Sentei em um outro restaurante onde podia observar grande parte da extensão dessa avenida.  O sol potencializava as cores das árvores e uma mendiga que revirava o lixo me lembrou São Paulo. Na esquina, observava o trânsito educado que dava licença aos pedestres como cavalheiros à damas. O sol que me aquecia na mesa que ficava na calçada, pouco a pouco dava espaço ao ar frio que fortalecia com o céu que começava a escurecer. Fui para o hostel para juntar minha bagagem, tomar um banho e me unir à Mário que me hospedaria pelos próximos dias e que se seria peça importantíssima para transformar minha experiência em Sevilla, de uma viagem turística em uma experiência intensa, feliz e inesquecível em minha vida.

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