Lisboa – Sevilla


Acordei tarde e comecei meu último dia em Lisboa com um céu muito azul e um sol aconchegante. Não deu tempo de ver muita coisa, pois eu tinha passagem de ônibus comprada para Sevilla para cerca das 19 hs. Saí caminhando pelas ruas próximas ao apartamento de Regina e muito perto pude visitar o Palácio Nacional da Ajuda.
O último palácio construído em Lisboa, passou por diversas reconstruções por ter sido ele vítima de terremoto e de um incêndio que o destruiu quase por completo. A fachada do palácio fica em frente a uma bonita praça e sua entrada formada por três arcos abre espaço para várias estátuas que recepcionam os visitantes dessa bela construção. O teto forma um rico desenho geométrico formado pela junção de várias colunas que sustentam essa entrada.
Alguns passos a frente, pude entrar em um jardim central de onde se pode ver as janelas internas dos quatro andares do palácio que abrigam os cômodos, outrora, usados por tantos nobres. À minha frente uma parede inacabada esconde a parte de trás do palácio que ainda mostra as marcas do incêndio devastador.

Atravessando esse pátio interno já saí em outra rua, uma ladeira que oferece uma linda vista do Rio Tejo e onde eu esperei o bonde elétrico para ir em direção ao comboio. No ponto, um cartaz colado convida as pessoas a apoiarem a causa pela sobrevivência dos bondes, que se eu entendi bem, iriam ser substituídos por ônibus mais modernos.
O antigo e pequeno bonde transforma esse passeio até a próxima condução em algo interessante e charmoso. Muitos idosos subiram nele e falavam entre si entusiasticamente. Chegando na estação Cais de Sodré, peguei  comboio em direção à Parede e me encontrei com Daisy no local combinado. Chegando em sua casa, organizei minha bagagem e aproveitei meus últimos momentos na companhia dela e de Fábio que chegara do trabalho, praticamente junto comigo. Eles me levaram até a estação de ônibus e fui embora emocionada, pensando o quanto eu gostaria de tê-los mais por perto.
A viagem para Sevilla foi tranquila. Dormi bem e quando desci na plataforma de desembarque, os ponteiros do grande relógio antigo pendurado por ferros ornamentais marcavam 6 h10.  Na saída da Estación Autobuses El Prado de San Sebastian as paredes acima dos guichês de venda de passagem, exibiam vários painéis lindamente pintados à mão. Saí pela Avenida de Carlos V, com o céu ainda escuro e a rua deserta… não encontrei ninguém para pedir informação do trajeto para o hostel, onde eu iria me hospedar por uma noite. Aguardei o primeiro ônibus passar e pedi informação ao motorista para saber se era longe e em qual direção eu deveria me encaminhar para chegar ao Casco Antiguo, o que foi uma dificuldade para ele entender devido a minha péssima pronúncia. Mas a boa vontade do motorista espanhol foi maior que a falta de comunicação e ele me explicou gentilmente que eu poderia ir tranquilamente a pé.
Segui em direção à Calle San Fernando. À minha esquerda, a antiga Fábrica de Tabaco me dá boas vindas a essa cidade maravilhosa. Sua arquitetura deslumbrante protegida pelas imensas grades de ferro abrigam uma universidade hoje. Mais adiante, o luxuoso Hotel Alfonso XIII estava em reforma, escondendo sua beleza atrás dos andaimes forrados por uma rede coberta de pó. Uma bela fonte marca a junção da Calle San Fernando com a Avenida De La Constituición, e esta eu percorri até o final, ouvindo apenas o som das rodinhas da minha mala e dos passos na calçada que ecoavam no silêncio da noite. Não tive pressa de chegar ao meu destino, pois as belezas dessa avenida são incontáveis. Prédios de vários períodos diferentes dividem esse espaço. Passei ao lado da imponente Catedral de Sevilla, onde La Giralda aponta lá no alto. Um dos prédios que mais ficaram marcados em minha memória pela influência arquitetônica muçulmana, colocam um ponto final nessa avenida.
Viro à esquerda na Plaza Nueva, onde assim como na Calle San Fernando, fileiras de árvores carregadas de mexerica formam uma passarela colorida de laranja e verde. Ali encontro uma senhora muito bem vestida que caminhava lentamente com o auxílio de duas muletas. Aproximei-me dela para pedir informação de como chegar na Calle Santas Patronas, onde ficava o hostel. Ela me explicou e antes de ir embora perguntei a ela se havia perigo caminhar sozinha ali, pois entraria em ruelas estreitas e ainda não haviam pessoas nas ruas. Ela olhou-me com uma expressão espantada, beirando a indignação e me respondeu confusa: E por quê? Eu ainda carregava os medos e a insegurança das ruas de São Paulo… Agradeci sorridente a ela e segui caminho me embrenhando no bairro.

A partir dali as ruas me pareciam todas iguais. Lindamente iguais. Largos paralelepípedos forravam o chão e as calçadas eram muito estreitas. Prédios pequenos e coloridos enfeitavam as ruas com suas plantas que escorriam das sacadas como parafina de uma vela queimada. Me perdi por aquelas ruas que formavam quarteirões triangulares em alguns lugares e em outros, quarteirões disformes rodeados de ruas cheias de curvas. O céu começava a clarear e pouco a pouco as ruas foram tomando vida. Cheguei à porta da Pensión La Casa de Sol cerca de 8 horas da manhã. Fui atendida por um senhor muito simpático, que disse-me que só poderia entrar no quarto depois das 10 horas. Apesar de eu ter dormido durante a viagem, me sentia bem cansada, mas não havia nada que eu pudesse fazer, então ele guardou minha bagagem e eu fui à procura de um local aberto para tomar um café da manhã.
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Um pensamento sobre “Lisboa – Sevilla

  1. Como sempre suas descrições nos reportam aos locais por vc visitados. Estou encantada com a Espanha, tudo tão caprichado que nos dão a impressão de desenhos e não de vida real. E nunca deixo de admirar sua coragem ao enfrentar tantoos desafios. Bjs da mamãe

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