Enquanto esperava a grande noite…

Acordei com um casal abrindo as malas no quarto. Começaram a falar inglês comigo. Respondi que não entendia e preferia falar em espanhol, se possível. Trocamos bienvenidos até desconfiarmos do sotaque e descobrirmos que éramos todos brasileiros.

A moça, cabelos lisos e compridos de um castanho claro, tinha um rosto muito bonito. Olhos grandes, sorriso largo. O rapaz era alto e magro, cabelos negros e o rosto cheio de espinhas, mas era bonito e sua alegria era cativante. Os dois eram amigos, contrariando minha primeira impressão, de Belo Horizonte, e iriam passar 25 dias na Europa. Trocamos algumas informações sobre os poucos lugares comuns que íamos passar e nos despedimos quando eu saía para conhecer um pouco da cidade, prometendo nos encontrar mais tarde, no bar do hostel, antes da virada do ano.

Desci ao porão e ao acessar a internet, encontrei uma mensagem atenciosa de Francesco que quisera saber como havia sido minha chegada a Madri e se tudo correra bem. Haviam mensagens de outras pessoas também para sair e tomar uma cerveja ou conhecer a cidade, mas só coincidiu de eu combinar com um rapaz, Cezar, que iria me encontrar na porta do hostel no final do tarde.

Passei o dia andando pela cidade e cada vez mais encantada com a energia positiva e alegre que emana desse povo acolhedor e festeiro.

Escolhera não fazer nenhum programa especial naquela tarde, pois queria estar inteira para a virada do ano. Andei pela movimentada Via Atocha, onde mesmo sendo feriado, o comércio estava funcionando parcialmente.

Parei para fumar um cigarro e uma espanhola jovem, muito simpática me deu um isqueiro de presente e se mostrou entusiasmada com a minha viagem. Ela queria saber tudo, cada detalhe e foi gostoso ter alguém para dividir o que já havia vivido até aquele momento. Fomos interrompidos pelo seu chefe que a mandou entrar, pois trabalhava na loja em frente.

Continuei caminhando e encontrei a mesma máquina fotográfica que havia comprado em Roma por 50 euros a menos. Momento de ódio profundo que foi facilmente esquecido conforme me deliciava com as ruas estreitas por onde caminhei depois.

Algumas horas caminhando meio sem rumo, parei para comer em um dos restaurantes lotados próximo a Plaza Jacinto Benavente, onde havia me encontrado com o grupo na noite anterior. Iluminada pelo sol brilhante que amenizava a sensação fria dos 6 graus, pude apreciar melhor a beleza da arquitetura do Teatro Calderón.

Voltei para o hostel para dormir um pouco antes de me arrumar para sair, mas não consegui relaxar muito. Era cerca de 18 horas, quando Cezar chegou e fomos até um pub em uma das ruas próximas. O bar estava cheio, como todos os centímetros quadrados de Madri. Ao invés de mesas, vários balcões dispostos em várias direções. Recortes de jornais enquadrados e algumas fotos antigas enfeitavam as paredes com bom gosto. A luz vinha de várias arandelas que interrompiam a sequência de quadros.

Cezar aparentava ser muito mais novo que seus 27 anos. Seus olhos verdes se iluminavam ao sorrir. Inteligente e interessante nos demos bem desde o início. Parecia que eu o conhecia há mais tempo. Ele contava sobre seu trabalho com crianças com histórico de agressividade e das várias viagens que já tinha feito. Conversamos, rimos e já era hora de ir embora. Eu iria encontrar-me com o grupo, e ele ia para uma festa. Nos despedimos prometendo nos reencontrar quando eu voltasse na última semana de férias a Madri.

Caminhei pelas ruas cada vez mais cheias em direção à Puerta Del Sol ao som de grupos que cantavam, riam e já comemoravam. A praça já estava cheia de pessoas que guardavam um bom lugar para passar a virada do ano, mas no local indicado para o encontro, não encontrei ninguém. A última coisa que eu queria naquele momento era passar essa noite sozinha. Minha outra opção era voltar para o hostel onde teria uma festa, mas não era o que eu queria. Dedos cruzados, resolvi esperar um pouco…

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