La Prévia de las Uvas

A reunião entre os membros do grupo era em um pequeno bar que já estava tão lotado quando eu cheguei, que tive que esperar uma brecha para entrar. Dentro do recinto fazia muito calor e o clima era de muita animação. As poucas mesas estavam encostadas nas paredes e quase todas as pessoas conversavam em pé ou apoiadas no balcão do bar que ocupava toda a extensão da parede dos fundos. Abaixo do balcão de madeira escura, azulejos azuis e brancos formavam uma grande barra decorativa. Nas paredes, diversas prateleiras acomodavam bonecos de resina engraçados que caracterizavam bêbados em diversas posições.

Comprei uma cerveja que estava geladíssima e era muito barata. Em Roma um copo de cerveja custava de 4 a 6 euros, dependendo do tamanho e do lugar. Ali eu fora servida com um copo médio e pagara 1,50 euro. Havia chegado no paraíso! Gente engraçada, cerveja barata e muita coisa nova para apreciar…

Depois de interagir com algumas pessoas acabei me instalando em uma roda com três garotas muito simpáticas, sendo uma delas brasileira que residia em Madri há quatro anos. Mas quando eu estava começando a relaxar, todos começaram a ir embora. Eu não estava entendendo muito bem, pois ainda eram 23h30.

Uma das garotas passa apressada e me diz que estão indo para Puerta Del Sol. O nome do evento no site de mochileiros era La Prévia de las Uvas, onde iam comemorar a véspera da virada do ano. Perguntei onde estariam e disse a ela que os encontraria lá, depois de acabar a cerveja. Ela deu de ombros resignada.

A tradição na Espanha durante a virada do ano é comer doze uvas para dar sorte, uma a cada segundo antes da meia-noite, acompanhando a contagem regressiva, ou se quisermos ser mais românticos, as doze badaladas do relógio, onde houver. Eu ouvi versões antagônicas sobre a sua origem, mas não sei qual seria a certa. Uns disseram que em cerca de 1.909 vinicultores tiveram uma produção espetacular e na virada do ano distribuíram uvas ao povo para comemorar e desejar que o sucesso se perdurasse para o próximo ano. Outros, que a abundância das colheitas, fez com que o preço da uva caísse demais e os vinicultores as distribuíram em sinal de protesto. Há quem diga também que são doze uvas, uma para cada mês do ano e que são comidas para zombar da antiga burguesia que festejava a noite com champagne e uvas.

Eu ingenuamente ou por simples ignorância, crera que era apenas um encontro do grupo, mas para minha surpresa, quando cheguei na praça Puerta Del Sol, fui surpreendida com uma multidão eufórica. Era tanta gente que eu nem ao menos consegui chegar ao centro da praça diante da muralha gigante de pessoas com chapéus divertidos que cantavam e gritavam entusiasmados.

À meia noite a multidão gritou em coro entre abraços, assobios e brindes. Comemoravam como se fosse Ano Novo… Diante de tanta gente, não consegui encontrar o grupo, então após a comemoração, me dirigi de volta ao hostel. No caminho de volta me perdi entre as ruas que continuavam lotadas. Os bares começaram a encher novamente para prolongarem a comemoração. Para os espanhóis parece que qualquer motivo é desculpa para festa.

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Caminhei mais de 1h30 até achar a rua onde eu estava hospedada. Depois percebi que andara em círculos ao redor do local certo, mas não cheguei a me chatear com isso, pois andar por aquelas ruas cheias e animadas era divertido e diferente.

Já no hostel, desci até o bar, onde me deparei com a moça simpática aos beijos com o tímido canadense. Quando ela me viu me chamou para sentar-me com eles, mas estavam tão embriagados que qualquer tentativa de uma conversa normal era impossível.

Fui para meu quarto que estava completamente vazio. Certamente os outros hóspedes também disputavam lugares em bares e nas ruas. Deitei pensando quão intenso fora meu dia. Acordara em Roma e iria dormir em Madri. Mundos, culturas e sensações diferentes. Eu estava feliz e dormi sem fazer esforço.

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Um pensamento sobre “La Prévia de las Uvas

  1. Voltei a ler seus escritos, depois de alguns dias. E lembro da impressão que tive de Madri, onde parece que ninguém dorme, ou se o fazem é de dia. À noite estão todos nas ruas e falando, falando, falando…(Alice)

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