Addio Roma… Hola Madrid

Esperei Francesco chegar do trabalho na porta do prédio, na Via di Trastevere , sob um ar gelado que não permitia que minhas mãos esquentassem. Quando entramos no apartamento, tomei um banho quentíssimo.

Após uma breve conversa onde descrevi meu dia, ele disse que necessitava trabalhar um pouco no computador, o que me deu grande alívio, pois tudo que eu queria naquele momento era descarregar as fotos, falar com minha família e descansar. Meu cansaço era tanto que me despedi de Francesco que ainda estaria deitado quando eu saísse pela manhã e fui dormir sem comer nada.

Cedo, sob um céu nublado, me dirigi a estação ferroviária, a mesma que observara pela janela do quarto onde dormira as duas noites anteriores. Quando cheguei no aeroporto, tive a experiência mais desagradável da viagem, que certamente só ocorreu por total falta de experiência.

Acreditando na facilidade de se locomover dentro da Europa, não comprara a passagem a Madri com antecedência, e, apesar de ter à disposição para compra, estava caríssima por conta do feriado de Ano Novo.

Eu poderia ter ficado mais três dias em Roma e ter pago muito menos, mas queria passar um Ano Novo intenso e divertido. Em Madri, haveria uma reunião com membros do grupo de mochileiros naquela noite e eu já havia reservado o hostel, então decidi pagar mais e guardar a lembrança dessa despesa extra como experiência.

Foi uma viagem breve e tranquila e quando pisei nas terras espanholas pela primeira vez em minha vida, o céu exibia um lindo azul. Ainda no aeroporto, recebi guias e mapas da cidade. Para chegar no hostel, eu teria que pegar três linhas de metrô e andar por três ou quatro quarteirões. Optei pelo taxi após uma negociação de preço com um senhor que falou sobre a crise todo o tempo.

O Cat´s hostel ficava em uma viela muito charmosa e arborizada, em um ponto muito central. O prédio por fora não chamava muito a atenção, com exceção da porta que era belíssima, de madeira maciça, muito antiga, com cerca de 10 cm de espessura e lindos puxadores de metal. Por dentro a construção me surpreendeu. Havia um jardim de inverno maravilhoso, com uma fonte central, o teto coberto por vitrais coloridos, as paredes também exibiam cores fortes e vibrantes e vestiam-se de azulejos marroquinos na parte inferior, criando uma barra ricamente desenhada que emoldurava as várias portas dos quartos de hóspedes. As escadas eram forradas por tábuas de madeira tão antigas quanto a da porta de entrada e em suas laterais haviam enormes parafusos antigos.

Meu quarto não ficava em uma boa localização, pois o hostel estava em reforma e tive que subir quatro lances de escada com a bagagem. Por outro lado, o quarto tinha um banheiro, o que proporcionava mais conforto que outros aposentos que dividiam o banheiro do corredor.

O porão do hostel fora decorado com muita criatividade como se fosse uma caverna e o ambiente era descontraído e aconchegante. Lá haviam quatro computadores que eram disputados pelos muitos hóspedes, na maioria jovens.

Saí para conhecer um pouco da região. As ruas eram muito estreitas, a maioria de paralelepípedo, com muitas árvores e prédios baixos, muito coloridos. As placas pintadas com os nomes das ruas enfeitavam cada esquina com arte em azulejos.

Quando cheguei na Plaza Mayor, a mais bonita que vi na Espanha, uma explosão de energia, vida e alegria. A praça estava lotada. No centro havia uma feira de artesanato, barracas vendendo comida e roupas. Ao redor, vários estátuas humanas disputavam a atenção dos turistas. Até elas eram mais criativas e divertidas das que eu vira em Roma. Os ambulantes assobiavam e cantavam para conquistar os clientes. O sol refletia em bolhas de sabão que projetavam o colorido de um arco-íris, voando entre as pessoas e balões variados que conquistavam os olhares das crianças que brincavam por ali.

Mesas nas calçadas eram disputadas pelos clientes e barracas com perucas e máscaras era minuciosamente vasculhadas por olhares curiosos a escolha de uma fantasia para festejar a passagem de ano.

Dos prédios que contornam essa bela praça, se destacava a Casa de la Panadería, cujas paredes exibem afrescos lindíssimos desenvolvidos com temas mitológicos.

A diferença que senti de Roma para Madri, me fazia pensar que não parecia outra cidade, nem outro país. Parecia ser outro continente. A Espanha me conquistara desde o primeiro momento, e dali por diante, cada passo e cidade que eu conheceria, só me faria amar mais esse país.

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