Una bella notte in una bella cittá

Depois de uma hora reconfortante de sono, me encontro com Marco que chegara pontualmente às 21 horas na porta do hostel. Ele era mais novo do que imaginara. Menino bonito, cabelos negros, lisos e cheios. Ao abrir seu grande sorriso apresentava sua simpatia e seus olhos quase sumiam para dar espaço a alegria que transmitia. Falava um espanhol cheio de um sotaque divertido, mas muito bem compreensível.

Caminhamos um pouco pela rua e eu o seguia em direção a um bar que ele queria que eu conhecesse. Quando chegamos eu me surpreendi, pois eu teria passado sem ao menos perceber que ali se encontrava um lugar tão charmoso.

Era uma casa antiga espremida entre dois prédios que se localizava na escondida e típica viela romana; Via Del Bosquetto. Portas altas abriam seus braços convidando para a entrada no ambiente aconchegante. Dos dois lados da porta, pequenas janelas irradiavam uma luz difusa, despertando a curiosidade do que habitava o interior.

A primeira sala era pequena, mas estava ocupada de três pequenas mesas quase amontoadas que atrapalhavam a passagem, duas cadeiras encostadas em uma parede onde sentava um homem solitário acompanhado de uma taça de vinho, e do lado direito um balcão com o italiano mais bonito que vira naqueles dias, que servia com gentileza e simpatia dois clientes. Atrás do balcão prateleiras exibiam a variedade de vinhos para escolha.

Nas mesas, castiçais feitos de garrafas coloridas tinham seus gargalos enfeitados pelo acúmulo de parafina derretida das velas que queimaram ali. As chamas das velas eram responsáveis pela luz difusa que apontava do lado de fora das pequenas janelas, cobertas parcialmente por cortinas rústicas entreabertas.

Quadros, escritos, postais, LPs, pôsteres enchiam as paredes, mal dando espaço para visualizar a cor delas. No teto, balões e castiçais de garrafas cortadas ao meio me fizeram relembrar uma noite de São João, quando balões ainda podiam ser soltos no céu.

Marco apontara para o segundo cômodo onde a decoração se assemelhava a uma sala de visitas antiga. Como na entrada, a luz era fraca e amarelada, as paredes igualmente enfeitadas, mas também tinham estantes com livros e LPs. No teto dois balões, um de cada lado, e no centro um lustre antigo muito bonito, de ferro ricamente trabalhado, de onde nenhuma luz surgia. À direita um sofá de dois lugares, uma mesa baixa e um puf. À esquerda outro sofá de três lugares com duas mesinhas de apoio nas laterais. Bem a frente da entrada sem porta, na parede oposta, duas poltronas barrocas, de encosto alto e forradas de um veludo vinho com uma pequena e linda mesinha baixa redonda que eu adoraria ter trazido para casa.

Sentamos nas duas poltronas e meu olhar não conseguia parar de reparar no charmoso ambiente que estava repleto de objetos antigos.

Marco era uma pessoa muito interessante. Nos demos bem desde o início e a conversa foi divertida e agradável. Apesar da pouca idade, ele argumentava sobre os mais diferentes temas com entusiasmo. Ele sente uma atração imensa por tudo que se relaciona ao Brasil. Ama as praias e a cultura e tem planos de vir passar férias em Florianópolis. A música era muito gostosa e bem eclética. Marco escolheu o melhor vinho que eu já tomei e que me arrependi muito de não anotar a marca.

Depois que saímos do bar, ainda andamos um pouco pelas vielas do bairro sob o ar frio e vozes que vinham dos bares e restaurantes. Passamos por uma das muitas fontes que enfeitam a cidade, mas à sombra da noite, o som da água era mais sedutor que a beleza do monumento. Ele ainda me presenteou com um passeio de carro por algumas ruas ainda não conhecidas que se tornavam quase assustadoras devido à iluminação noturna disfarçada por uma neblina que eu ainda não tinha visto em Roma.

Deitada em minha cama no hostel, depois de ter conversado um pouco com a americana, pensei no leque de possibilidades que o grupo de mochileiros havia me oferecido. Sair com uma pessoa local me deu uma oportunidade de viver uma experiência que como turista e sozinha eu nunca teria conseguido realizar.

Pensava também o quanto o ser humano necessita de companhia. Eu estava adorando a tranquilidade, a liberdade e o prazer de estar sozinha, mas adoraria ter dividido uma noite tão perfeita com uma pessoa que eu amasse…

Anúncios

Seja você uma parte desse mosaico. Compartilhe suas impressões, sentimentos e opiniões aqui.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s