A Fonte…

Sempre imaginara a Fontaine de Trevi situada em um lugar alto, em destaque. Nunca imaginaria encontrá-la ao final de uma pequena e estreita ladeira. Rodeada de prédios da mesma altura. Apesar de estar “escondida” em meio ao bairro apinhado de comércio, ela era tão exuberante que a primeira palavra que me veio a cabeça para descrevê-la era “explosão”. Ela ocupara todo o ar que eu procurava em vão para recuperar o fôlego.

Do que tinha ao seu redor, só me recordo vagamente das cores de um pastel antigo gasto pelo tempo, pois sua alvura era ofuscante, refletindo o sol que brilhava em um céu azul e sem nuvens. Não guardo imagem de nada mais, pois meu olhar estava hipnotizado por cada detalhe daquele monumento, a cor translúcida da água, cada estátua…  Era surpreendente que esculturas estáticas pudessem transmitir tanto movimento e intensidade.

Incômodo e inevitável era dividir aquele espaço com uma pequena multidão que lotava as escadas em frente a fonte e nas calçadas, mas as vozes não cobriam o som da água em cascata.

Entre pedidos de com licença e desculpas, consegui chegar mais perto da fonte e é claro que não poderia sair dali sem jogar a moeda e fazer um pedido. Para garantir lancei uma moeda de um real e uma de um euro… nunca se sabe… Esperanças jogadas em uma fonte, desejos…

A máquina que eu comprara pela manhã, já estava com pouco bateria, mas mesmo que eu tivesse tido possibilidade de fotografar aquela fonte mil vezes, nunca conseguiria transmitir a sensação de estar ali. Não é à toa ser um destino romântico de tantos casais. A fonte é bela, forte, intensa, majestosa, literalmente apaixonante, envolta por um ar de mistério. Fui tão envolvida pela grandiosidade daquela obra, por um sentimento tão avassalador, que quase me senti  triste.

Roma tinha um antigo costume de construir uma bela fonte no final de um aqueduto que fornecia água à cidade. Essa fonte se situava no cruzamento de três estradas (tre vie – origem de seu nome), isso me fazia pensar na importância que teve para tantas pessoas com o passar do tempo e de como quantas outras tantas coisas que foram importantes na história do homem, não tiveram a mesma sorte de serem conservadas para presentear futuras gerações com beleza, arte e conhecimento.

Gostaria muito de tê-la visitado à noite também, assim como quase todos os outros monumentos que conheci de dia, mas o tempo passou muito rápido e não consegui. Quando fui embora de Roma, pensei: “Não pude me despedir da Fontana…” Sinto por esse monumento uma saudade, quase igual a um amor perdido… 

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