Primeiras impressões de Roma

 

Acordo por volta das 8h30 com o som de vozes e risadas. O som vinha da pequena cozinha onde o hostel oferecia o café da manhã. Havia dormido bem. A primeira noite de sono de qualidade em muito tempo, mas meu corpo ainda se sentia um pouco cansado. Levanto e me deparo com jovens que poderiam ser amigos de meu filho que estuda na universidade. Cumprimento todos e volto para o quarto.

Enfrentar a minha timidez era um dos maiores desafios dessa viagem. Muitas pessoas que me conhecem não imaginam o quanto me sinto envergonhada ao chegar em um ambiente estranho. Pedir uma informação, chegar em um restaurante cheio, encontrar grupos de jovens, são situações onde eu tenho que me esforçar para clicar o “enter”. E sozinha lá, não havia outra saída senão enfrentar.

Enquanto espero minha vez para tomar café, tento planejar o que farei no dia. Me sinto perdida, pois contava que encontraria o grupo na noite anterior e poderíamos ir juntos, mas na impossibilidade, resolvi descer a Via Cavour a pé até chegar ao Coliseu e caminhar para conhecer a região.

Depois de me alimentar e me arrumar, saio em meu primeiro dia de turista. Desço a Via Sforza onde estava hospedada e conheço outra Via Cavour, banhada pelo sol, com o colorido pastel dos prédios enfeitando a paisagem. No lugar do silêncio da noite anterior, vozes de estrangeiros de todas as partes do mundo e muitos, muitos japoneses que pareciam competir para ver quem tinha a máquina fotográfica mais moderna. Vi poucas pessoas sozinhas, muitas famílias e crianças.

escalera San Francesco de Paolo

Passo pela Piazza San Francesco di Paolo e observo a bela escadaria que leva ao Palazzo Borgia tomado por galhos que na primavera irão colorir as paredes com o verde das folhas de hera. Teria adorado parar ali e pintar aquela cena que me fazia sentir estar viajando no tempo… No próximo quarteirão, olho a minha esquerda, Via degli Annibaldi, no final dela vislumbro o Coliseu. Não sei quantos minutos fiquei parada ali. Cada vez que dirigia o olhar para uma travessa da Via Cavour, era uma surpresa. Um quadro, uma nova imagem.

Me contenho e não vou em direção ao Coliseu. Eu queria conhecer melhor a região. Estava a procura de uma máquina fotográfica para comprar, mas só encontrei lojinhas vendendo seus produtos made in China. Acho que a maioria dos produtos que vi para comprar seriam facilmente encontrados na 25 de março. Estacionados em toda parte, os pequenos carros italianos e muitas scooters. Andando por ali, eu recordava a imagem de Audrey Hepburn e Gregory Peck passeando em Roma em uma Vespa, em “Férias Romanas”, e a realidade era tão charmosa como o filme.

Eu não estava preparada para a paisagem que me esperava quando cheguei na Via Dei Fori Imperiali. A larga avenida estava fechada para carros, mas lotada de turistas. Eu não sabia para onde olhar.

À minha esquerda, na esquina da Via Cavour com Dei Fori Imperiali, cerca de cinco restaurantes, um ao lado do outro, disputavam os clientes. Os garçons desses restaurantes ficarão em minha memória como uma característica de Roma tão marcante quanto os italianos vestidos de centuriões acerca do Coliseu, as mulheres elegantérrimas e as charmosas scooters. Eles são divertidos, sorridentes e falantes. Ao passar uma mulher não resistem, fatalmente ela ouvirá um “Bella ragazza”, acompanhada de um gesto com mão que intensifica o elogio. É impossível não sorrir…

eletroencefalograma 262

Ainda à esquerda, já no final da Via Dei Fori Imperiali, o Coliseu mais uma vez aparece. A visão agora desse gigante é avassaladora, pois sua silhueta não está escondida por prédios e árvores. Fiquei emocionada com aquela imagem. À minha frente está o Foro Romano e suas ruínas e atrás dele se pode vislumbrar um horizonte recortado por cúpulas de várias basílicas e monumentos. Um pouco mais à direita do Foro, uma subida forrada por pedras perfeitamente encaixadas, leva a Piazza Del Campidoglio, onde se encontram os Museus Capitolinos.

Meu olhar segue à direita, onde se encontra ao alto, realçada pelo céu azul, a estátua do alto do Monumento Nazionalle Vittorio Emanuele II, que fica em frente a Piazza Venezia. Já completando os 360º graus dessa imagem fascinante, admiro os Foros Traiano, di Cesare, di Nerva e di Augusto. Eles ficam em frente ao Foro Romano, do lado oposto da Via Dei Fori Imperiali, e aparentemente, talvez pelo excesso de informação e imagens, não recebem tanto a atenção dos turistas, mas são igualmente fascinantes.

Minha garganta segurava um soluço emocionado. Meus olhos marejados borravam as imagens e eu pensava se era um sonho. Ali, em meio àquelas ruínas, me senti incrivelmente só. Queria muito dividir aquela emoção com alguém. A emoção única que nunca se repetirá. A emoção de viver aquilo pela primeira vez…

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3 pensamentos sobre “Primeiras impressões de Roma

  1. Não me diga que vc memorizou todos os nomes de ruas, praças, locais!!! Está se saindo muitíssimo bem nessa viagem pela literatura. Parabéns! Realmente consigo sentir com vc toda a emoção. "Toda" é exagero. Só vendo mesmo, né???

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