Uma mulher na estrada, marcando seus passos

A decisão surgiu. Do sonho, de repente era verdade. Eu ia viajar. Parecia uma loucura levando em consideração a vida simples que tenho e as dificuldades que passo.

Financeiramente, posso afirmar a qualquer pessoa que é só uma questão de prioridade em sua vida. A viagem era prioridade para mim naquele momento. Eu poderia ter gasto meu 13º e férias com presentes de Natal, ou dando entrada em um carro, ou renovando meu guarda-roupa, mas minha prioridade era uma nova experiência, aliada ao prazer imenso de conhecer novos lugares, gente e culturas diferentes da minha, descansar e simplesmente disfrutar de momentos sem carregar a minha bagagem de responsabilidades do dia-a-dia.

Quando se fala em viagem, principalmente para o exterior, as pessoas partem pelo pressuposto que você está com muito dinheiro, está louca se não o tem, ou que está deslumbrada pelo luxo de uma realidade que não é a sua. Equivocam-se meus caros amigos. Você pode simplesmente gostar mais de salgado do que de doce e tomar as decisões de acordo com a sua realidade.

Daí um belo dia, em meio aos preparativos, torna-se fato também que sua companheira de viagem tem que abortar a missão. Você está só. Aí as pessoas piram… Sozinha? Como? Eu não teria coragem… Você pode se decepcionar com muitas coisas! É perigoso! Você é mulher (como se eu não soubesse disso). Mas imprevistos acontecem (como se não acontecessem com casais, famílias ou homens sós)!

Não tive dúvida de que deveria ir. Sozinha ou não, era minha decisão, absoluta, real. Era a única verdade em que eu acreditava naquele momento… a da viagem que eu deveria fazer… Que eu merecia e necessitava viver…

Diante da decisão tomada, mesmo com planejamento, afinal já se passara anos em que esse sonho estava esboçado em cadernos, arquivos de fotos, roteiros e pesquisa, fiz as malas na última hora, na manhã da viagem, me parecendo que faltavam muitas coisas.

Cheguei cedo ao aeroporto. Algumas horas onde o pânico quase tomou conta de mim. Pensava… e se todos estiverem certos? Era minha primeira grande viagem. Nunca tinha viajado sozinha e mesmo acompanhada, só tinha feito viagens pequenas e em lugares onde conhecia outras pessoas. Iria descer na Itália e não falava italiano. Na maior parte do tempo estaria na Espanha e só falava um portunhol medíocre. E se o dinheiro não desse? E se me barrarem na fronteira? Bom… era tarde demais para pensar nessas coisas…

Aqui começa meu diário de viagem. Diário esboçado em um moleskine que me acompanhou por todos os lados. Moleskine preenchido com sentimentos, pensamentos, esboços de desenho e com história. A minha história. Não sei a quem interessará, ou se interessará. Mas a mim, escrever sobre ela, é uma maneira de mantê-la viva. E aqui nesse blog, é isso que farei. Pouco a pouco, irei dividir com quem interessar essa experiência que foi uma das mais intensas da minha vida.

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